Adelino Fortunato: “Agregações de grandes operadores geram deseconomias de escala” (COM VÍDEO)


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O professor da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra, Adelino Fortunato, defendeu durante a 10ª Expo Conferência da Água que a agregação de operadores de grande dimensão pode originar “deseconomias de escala” e perdas em vez de obter ganhos de eficiência e baixar os custos como seria suposto.

 

Adelino Fortunato sublinha que a agregação não é um mal em si mesmo tanto para os sistemas em alta como para os sistemas em baixa. “Os pequenos operadores, sobretudo na alta, podem agregar-se mas para procurarem a escala óptima mínima, a escala mínima eficiente, aquela que permite minimizar os custos médios, mas a criação de cinco mega operadores é uma coisa excessiva que ultrapassa tudo o que são escalas aceitáveis em termos de optimização”, sublinhou em declarações ao Ambiente Online. O docente referia-se à agregação proposta no âmbito da denominada reestruturação do sector da água de titularidade estatal, dos sistemas em alta, que agregou as 19 empresas de água e saneamento em apenas cinco.

 

A agregação não pode ser vista como a solução para todos os problemas do sector, alerta o economista. “O sector tem problemas de sustentabilidade a vários níveis, tem perdas, água não facturada e custos de estrutura, mas se a agregação for levada a um limite excessivo vai fazer com que se somem desvantagens àquelas que já existem”.

 

Adelino Fortunato lembra ainda que a gestão da água, em termos de agregação, deve ser feita tendo em conta as bacias hidrográficas, como indicam as directivas das organizações ligadas à água, como a OCDE.

 

“A organização que é sugerida não tem nada que ver com bacias hidrográficas. É uma agregação política”, alerta. Para o especialista esta decisão pode indicar uma intenção futura de privatização do sector já que o que está a ser feito é "retirar as autarquias do sector", analisa.

 

O professor refere que para aplicar a proposta o anterior Governo recorreu a métodos que foram muito para além da persuasão e criaram “uma litigância no sector” tendo em conta que muitos municípios se opuseram ao processo.  “Isto foi feito contra a vontade de alguns e eu só acredito em processos de agregação voluntários”, conclui.

 

Recorde-se que os partidos de esquerda no Parlamento, no âmbito dos acordos assinados com vista à constituição de um Governo liderado pelo Partido Socialista, manifestaram a intenção de fazer reverter este processo de fusão das empresas.

 

A Expo Conferência da Água, que este ano comemora 10 anos, é uma organização do grupo About Media, que detém as publicações jornal Água&Ambiente e portal Ambiente Online.

 

(Ana Santiago para o Ambiente Online)