Jaime Melo Baptista: Fundos comunitários têm que ser criteriosos até porque saneamento ainda precisa de infra-estruturação

Os fundos comunitários de que Portugal irá beneficiar para o sector da água e saneamento no âmbito do Portugal 2020, designadamente do PO SEUR (Programa Operacional Sustentabilidade e Eficiência no Uso de Recursos), serão decisivos para a contínua evolução do sector, defende Jaime Melo Baptista, investigador coordenador do departamento de hidráulica e ambiente do LNEC (Laboratório Nacional de Engenharia Civil).

 

“Porque estamos quase infra-estruturados, temos agora que aproveitar os fundos para melhor conhecimento, melhor informação e consequente melhor gestão patrimonial das infraestruturas, assegurando a renovação e reabilitação do que já temos, assegurando um bom e contínuo serviço à sociedade. Mas atenção, a afectação dos investimentos tem que ser muito criteriosa e o saneamento ainda necessita de infra-estruturação significativa”, alerta.

 

O investigador vai ser um dos oradores da 10ª Expo Conferência da Água, uma organização do Grupo About Media, que detém as publicações jornal Água&Ambiente e Ambiente Online. O evento decorre a 11 e 12 de Novembro, no Sana Malhoa Hotel, em Lisboa. A seu cargo ficará a moderação do painel “Inovar no financiamento – sustentar projectos, cumprir objectivos estratégicos: além do convencional”, marcado para a tarde do dia 12 de Novembro.

 

Jaime Melo Baptista irá igualmente participar no painel transversal que assinalará os 10 anos da Expo Conferência da Água, no dia 11 de Novembro, deixando algumas ideias para o futuro. “Gostaria de ver concretizada a consolidação dos serviços de águas através de uma crescente sustentabilidade económica e financeira e simultaneamente uma clara melhoria da sua eficiência. Assim chegaremos aos tarifários adequados, pressionados quer pela necessidade de recuperação de custos quer pelo aumento da eficiência. Gostaria também de ver maior diálogo entre todos os parceiros envolvidos no sector, bem como maior capacitação dos parceiros mais frágeis”, antecipa.

 

A última década mostrou que um país pode mudar para melhor as condições de vida dos seus cidadãos em relativamente pouco tempo se definir uma estratégia adequada, implementar convictamente os seus diversos componentes e mostrar a persistência necessária, defende o especialista. “Portugal é um bom exemplo, evoluindo da fase infra-estrutural para a de gestão destes serviços. Mas os sucessos alcançados não devem fazer esquecer as insuficiências existentes, caso contrário haverá um retrocesso inevitável ao nível dos serviços prestados, das condições ambientais e da saúde pública”, alerta.

 

(Ana Santiago para o Ambiente Online)