Pedro Serra: Caudais ecológicos e controlo da poluição são medidas urgentes para garantir qualidade da água

A implementação dos caudais ecológicos em todas as linhas de água e o controlo das pressões de origem agrícola e agro-pecuária, que são as principais fontes de poluição dos recursos hídricos, constituem as medidas mais importantes para garantir a qualidade das massas de água em Portugal em linha com a Directiva Quadro da Água.

 

É isto mesmo que defende Pedro Serra, o consultor que foi responsável pelo grupo de trabalho que elaborou o novo Plano Nacional da Água.

 

O especialista será um dos oradores da 10ª Expo Conferência da Água, que decorre de 11 a 12 de Novembro, no Sana Malhoa Hotel, em Lisboa. Na tarde de 11 de Novembro, Pedro Serra irá moderar o painel dedicado aos “Desafios para a qualidade das massas de água em articulação com os setores da economia” que contará com representantes de várias instituições.


Em 2015 a Expo Conferência assinala 10 anos, década que serviu para que as preocupações ambientais se impusessem de tal forma que hoje são inquestionáveis, na perspectiva de Pedro Serra. “A integração do INAG [antigo Instituto da Água] e das ARH (Administração de Região Hidrográfica] na APA [Agência Portuguesa do Ambiente] é disso o testemunho extremo, com tudo o que de bom (valorização dos recursos hídricos como bem ambiental) e de mau (desvalorização da água como factor de produção) isso significa”, realça em declarações ao Ambiente Online.

 

Como positivo Pedro Serra destaca a “extraordinária melhoria da qualidade, extensão do serviço e melhoria da eficiência dos serviços de água para consumo público e de recolha e tratamento de águas residuais urbanas”.

 

Nos próximos dez anos Pedro Serra gostaria de ver o Estado assumir a sua função de “defensor do interesse público”, protegendo os recursos hídricos e garantindo que as suas utilizações são sustentáveis. O consultor alerta ainda para a necessidade de o Estado reassumir a sua função de motor do desenvolvimento, promovendo os aproveitamentos dos recursos hídricos que, pela sua natureza estratégica ou multiuso, nenhum agente económico está em condições de, só por si, levar por diante, à semelhança do que acontecia no passado. Alqueva, Odeleite-Beliche e Baixo Mondego são apenas alguns aproveitamentos que não teriam sido realizados, ou tê-lo-iam sido de forma menos eficiente, se cada utilizador tivesse trabalhado isoladamente, sublinha.

 

(Ana Santiago para o Ambiente Online)