Modelos de integração da recolha indiferenciada com recolha seletiva de resíduos

Na sequência do artigo anterior sobre a integração da recolha indiferenciada com a recolha seletiva, sob a égide da mesma entidade gestora, equacionam-se os modelos possíveis de integração.

 

As soluções a desenhar dependerão de vários fatores, em que as questões de dimensão se afiguram fundamentais à tomada de decisão, tendo em vista a obtenção de escala que conduza a economias e a uma mais equitativa distribuição do esforço tarifário das várias entidades interessadas.

 

A dispersão habitacional que se verifica a nível nacional conduz a uma relativa disparidade de produção de resíduos na ótica municipal, verificando-se uma relativa concentração e dimensão nas zonas metropolitanas e nalgumas zonas litorais e uma dispersão e menor produção nas zonas interiores.

 

Nesta perspetiva, e sendo objeto da integração a criação de escala, os modelos a implementar deverão ter em consideração este aspeto de forma a gerar equilíbrios de custos e gestão de proximidade.

 

De forma simplificada podem-se considerar dois modelos de integração: 

 

 - Nas entidades gestoras em baixa, havendo neste caso duas alternativas em função da dimensão dos sistemas de recolha:

 

  • Eventual manutenção das situações em que tal já se verifica, caso das áreas metropolitanas, ou possível horizontalização pela integração numa mesma entidade de mais que um município de forma a criar maiores sinergias resultantes da escala das operações.
  • Integração das recolhas seletivas, neste momento na esfera das entidades gestoras em alta, nas entidades em baixa responsáveis pelas recolhas indiferenciadas, sendo neste caso previsível a vantagem de horizontalização das operações numa única entidade, que poderá coincidir territorialmente com a área da entidade gestora em alta de forma a criar escala, que a maioria dos municípios por si só não possuem.

 

- A integração da recolha indiferenciada nas empresas gestoras em alta, já maioritariamente responsáveis pelas recolhas seletivas, passando assim a recolha e tratamento a ser executada pela mesma entidade o que configura um processo de verticalização do serviço de gestão de resíduos urbanos.

 

Em qualquer dos modelos poderá dizer-se que, se a programação e execução da integração da recolha indiferenciada e seletiva for feita tendo por objetivo a otimização de recursos, a racionalidade da localização das infraestruturas, a compatibilização das operações, os custos unitários da recolha poderão ser menores, pese embora o grau dessa redução varie de caso para caso, em função das caraterísticas específicas da entidades gestoras em alta e das entidades gestoras em baixa, como a dimensão, tipologia de área de intervenção, tipo de recolha e de infraestruturas, viaturas e equipamentos utilizados, tendo, necessariamente em atenção, o modelo de gestão contratualizado, em função do período definido para a esse serviço e do risco transferido da entidade titular para a entidade gestora.

  

(Manuel Piedade para o Ambiente Online, 27.01.2018)