12º Fórum de Resíduos: Recolha de orgânicos porta-a-porta

A recolha seletiva de orgânicos vai ser o grande tema de abertura do segundo dia do 12º Fórum Nacional de Resíduos, que decorre a 18 e 19 de abril, em Lisboa.

O destaque dado ao tema prende-se com o facto de ser uma das medidas obrigatórias da nova diretiva europeia que os Estados Membros têm que cumprir até 2023, sendo que a estratégia de Portugal nunca contemplou esta recolha.

Toda a prioridade deverá assim ser dada à questão da recolha seletiva nos próximos anos.

Na opinião do especialista em resíduos da ZERO, Rui Berkemeier, as tarefas que Portugal tem pela frente são muitas e variadas. "Em primeiro lugar, mudar radicalmente o paradigma da recolha seletiva e passar dos ecopontos para a recolha porta-a-porta. Em segundo lugar, avançar com a recolha de orgânicos. Depois, juntar o sistema de PAYT, sendo que para tudo isto funcionar, a recolha seletiva e a indiferenciada têm forçosamente de ser feitas pela mesma entidade”, analisa Rui Berkemeier no último artigo de opinião publicado no Ambiente Online.

A integração dos serviços de recolha seletiva e indiferenciada é outro dos temas que será igualmente abordado no Fórum numa altura em que a ERSAR está a desenvolver um estudo sobre a temática. 
 
Mais à frente, defende o especialista da ZERO, “temos que reconverter os TMB para também receberem resíduos orgânicos provenientes da recolha seletiva e investir em novas unidades de tratamento de resíduos orgânicos”.
 
TRIPLICAR OS 22% DE TAXA DE RECICLAGEM
 
As metas quem têm sido discutidas a nível comunitário para a gestão de resíduos urbanos são ambiciosas e apontam para uma taxa de reciclagem mínima de 65 por cento e uma deposição em aterro máxima de 10 por cento em 2035.
 
“A concretizarem-se estas metas, há uma conclusão óbvia para Portugal: todo o dinheiro disponível para a gestão dos resíduos urbanos deve ser canalizado para aumentar a taxa de reciclagem” deixando de fora a incineração, sublinha.
 
Triplicar os atuais 22 por cento de reciclagem de forma a atingir a meta de 65 por cento de reciclagem em 2035, vai “obrigar a um gigantesco esforço financeiro na reformulação do atual sistema de gestão de resíduos urbanos”, enfatiza Rui Berkemeier.

 

(Ana Santiago para o Ambiente Online, 19.02.2018)