Portugal tem infraestruturas de tratamento de resíduos a mais

Na tarde do primeiro dia do 12º Fórum Nacional de Resíduos, que decorre hoje e amanhã em Lisboa, o diagnóstico do setor foi feito por vários oradores que concordaram que existe infraestruturação a mais nos resíduos.

 

José Eduardo Martins, partner da Abreu Advogados, comparou Portugal com outros países europeus no que respeita à capacidade interna de tratamento de resíduos.

 

“Somos um país pequeno, com uma infraestruturação brutal de unidades de tratamento de resíduos. E isso não é normal. Muitos países exportam resíduos e isso não tem mal”. Mas se a capacidade existe, há então que poder, agora, exportar serviços", defendeu.

 

José Manuel Palma, professor da Universidade de Lisboa, lembrou o Reino Unido, por exemplo, exporta mais de quatro milhões de toneladas de resíduos, de várias origens.

 

Por outro lado,  o especialista em resíduos lembrou que “os resíduos são valor, mas o valor não está por atacado, está separado”. Ou seja, explicou, as soluções de tratamento têm de ser pensadas e estruturadas de forma local e integrada.

 

“Não podemos continuar a ter soluções iguais para o centro de uma cidade, como Lisboa, e uma localidade no interior de Trás-os-Montes. Isso não funciona e não há dinheiro para isso”, rematou.

 

A flexibilidade no tratamento, como existe noutros países do mundo, também deve ser considerado. “Não podemos continuar com soluções inflexíveis”, disse. A afirmação motivou um aceso debate, com José Palma a lembrar que o co-processamento noutros países é a na sua maioria feito em unidade não cimenteiras.

 

“Em Portugal, o coprocessamento é dominado pelas cimenteiras, mas na Europa elas representam apenas 30% do coprocessamento. Por isso, devemos estar abertos a outras soluções, existentes noutros países”, disse acrescentando: “a grande oportunidade está na fração resto, não é um problema”.

 

(in ambienteonline, 18/04/2018)