Tara retornável no Fórum de Resíduos: Só 36% dos portugueses acredita na eficácia deste sistema

Só 36 por cento dos portugueses que reciclam acreditam que os níveis de recolha seletiva podem aumentar com recurso a sistemas de incentivo como a tara recuperável que o Governo pretende implementar. Este será um dos temas a abordar no 13.º Fórum Nacional de Resíduos, que decorre a 10 e 11 de abril, em Lisboa. No segundo dia do evento será abordada a temática do "Novo sistema de depósito de embalagens de bebidas (obrigatório até 2022)". Como se integrará no SIGRE?". Saiba também mais sobre este tema lendo a próxima edição do jornal Água&Ambiente.

 

A larga maioria dos portugueses considera a reciclagem e a separação de resíduos um setor prioritário para a sociedade portuguesa (92 por cento), à frente da energia (90 por cento), dos transportes (89 por cento) e da banca (78 por cento). Já quando questionados sobre se fazem a separação de resíduos, 84 por cento dos portugueses respondem de forma afirmativa, apontando a preservação do ambiente como o que mais os motiva (97 por cento).

 

Estas são algumas das conclusões do 1º Observatório Permanente de Tendências de Reciclagem, uma iniciativa promovida pela “Novo Verde”, uma entidade gestora de resíduos, responsável pela recolha, valorização e reciclagem de embalagens. O trabalho de campo deste estudo foi desenvolvido pela Marktest e medirá, trimestralmente, os hábitos e atitudes dos portugueses no que diz respeito à separação de resíduos. 

 

O presidente da Novo Verde, Ricardo Neto, explica que com este barómetro pretende-se “medir o ‘pulso ecológico’ dos portugueses e ter um diagnóstico permanente sobre o que fazem, como fazem e porque não o fazem. "Este observatório permitirá, ainda, uma análise de práticas de reciclagem no foro geracional que nos ajude, a todos nós, a aumentar os índices de reciclagem. Todos somos poucos para esta tarefa tão urgente quanto incontornável”, sublinha.

 

Analisando as gerações, conclui-se que metade da população que recicla pertence à geração X (37-57 anos). O segundo grupo com mais peso no volume de reciclagem nacional é o da geração Y (22-36 anos), com 29,7 por cento da quota, seguindo-se os Baby Boomers (+58 anos) com 12 por cento. Em último lugar ficam os jovens com menos de 21 anos (geração Z), com apenas 8,5 por cento a afirmar que recicla.

 

No entanto, são os mais novos quem mais acredita no poder da educação e sensibilização enquanto incentivo para reciclagem. Já em relação à problemática do plástico, a preocupação dos portugueses ainda é baixa: 70 por cento continua a ter o hábito de comprar bebidas em embalagens de plástico não reutilizável. Um número que desce para 68 por cento junto dos inquiridos com menos de 21 anos, e vai aumentando de geração em geração até aos Baby Boomers (75 +pr cento). Já quando confrontados com a possibilidade de deixar de comprar um produto por este ter uma embalagem de plástico, apenas 2 em cada 10 portugueses se mostra disponível para o fazer.

 

Entre os portugueses que não reciclam, metade diz que não o faz  pela falta de hábito e um quarto tem dúvidas da eficiência do processo de reciclagem após recolha. A disponibilização ecopontos para a separação dentro de casa (73 por cento) e mais locais de recolha espalhados pelo território (45 por cento) são os dois fatores indicados para o aumento de volume de resíduos reciclados em Portugal. No entanto, a falta de espaço nos lares acaba por ser um fator assinalado por 26 por cento dos inquiridos como um impedimento à separação de resíduos dentro de casa.

 

Note-se ainda que, no computo geral – portugueses que reciclam e não reciclam - apenas quatro em cada 10 está satisfeito com a distância entre a residência e o ecoponto mais próximo. Já quanto à frequência de recolha dos ecopontos, o número baixa para dois em 10, sendo o número ainda mais baixo quando o tema é a limpeza dos ecopontos e área envolvente ou as campanhas de sensibilização, em que apenas 1 em 10 diz estar satisfeito.

 

O estudo conclui ainda que sete em cada 10 pessoas acredita que as empresas devem ajudar os consumidores a serem ambientalmente responsáveis e que reciclar é um dever de todos. 

 

(in ambienteonline, 22/02/2019)