Cimpor reduz 25% de CO2 na produção

Nova tecnologia foi desenvolvida em parceria com o Instituto Superior Técnico

10.07.2013

A cimenteira Cimpor, em parceria com o Instituto Superior Técnico (IST), criou um sistema para produzir cimento que permite reduzir até 25 por cento as emissões de dióxido de carbono (CO2). Actualmente, a Cimpor emite 15 milhões de toneladas de CO2 por ano e o custo de cada tonelada é de cinco euros.

Os trabalhos de investigação arrancaram há um ano e meio no IST, a partir de um contacto entre a Cimpor e o instituto, para o desenvolvimento de «um tipo de cimento que tivesse um custo ambiental», indica o investigador e professor do Técnico, Rogério Colaço.

Segundo o investigador, o problema das emissões de CO2 na produção de cimento é uma questão trabalhada há já muito tempo em todo o mundo, entre cimenteiras e institutos de investigação, mas «o que nos distingue é a invenção de um tipo de material, com um baixo teor de cálcio - pois é a sua existência no cimento que provoca a libertação de CO2 -, que permite manter as mesmas fórmulas de produção, sem deitar abaixo as unidades (de cimento) já existentes», afiança Rogério Colaço, sublinhando que o ciclo de produção das cimenteiras não se altera com este novo material.

A patente não será ainda tornada pública para que, durante um ano, a Cimpor e os investigadores do Técnico possam introduzir melhorias no resultado final. Só depois os intervenientes poderão passar da fase laboratorial à escala industrial.

Quanto ao futuro expansionista desta fórmula diferenciada de reduzir as emissões de CO2 na produção de cimento, Colaço é peremptório: «O parceiro industrial (Cimpor) é quem toma a decisão do uso ou da valorização. Posso dizer que a ideia da Cimpor é fazer o registo da patente em cerca de 50 países. Em relação ao material, o seu valor é transnacional, pois o que faz sentido é este tipo de tecnologia ser utilizada por outras cimenteiras, uma vez que acarreta menos custo (ambientais e financeiros)», remata o especialista.

O protocolo de cooperação entre a Cimpor e o Instituto Superior Técnico baseia-se na investigação em áreas como a eficiência energética e redução da pegada de CO2, a ciência dos materiais e nanotecnologia, a utilização de combustíveis e matérias-primas alternativos, a análise do ciclo de vida e do custo de vida, a reciclagem de betão e resíduos de construção e demolição, assim como na formação avançada – doutoramentos e mestrados -, realizada em rede com outras instituições e observatório estratégico de tecnologias.



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