Poupar água: uma questão de sobrevivência

Para além de um problema ambiental e humanitário, o consumo desnecessário de água potável levanta também questões económico-financeiras. No Dia Mundial da Poupança, que se comemora a 31 de Outubro, vale a pena pensar no que está ao alcance de cada um para diminuir esta factura.

30.10.2009
A água potável é talvez o bem essencial mais escasso e ameaçado que existe no planeta Terra. Prevê-se que, em 2025, cerca de 1,8 milhões de pessoas vivam em zonas com escassez de água e 2/3 da Humanidade sofram restrições no abastecimento, um cenário que pode ser ainda mais grave com o avanço das alterações climáticas. Mas há outras variáveis que contribuem para a escassez da água: as alterações nos hábitos de consumo. Nos últimos cinquenta anos, o consumo de água duplicou, sobretudo nos países desenvolvidos: aí, uma criança consome entre 30 a 50 vezes mais água do que uma criança num país sub-desenvolvido.

De acordo com um relatório da World Wildlife Fund, nos Estados Unidos, cada pessoa utiliza diariamente 400 litros de água, enquanto um europeu utiliza 300 litros, e nos países em vias de desenvolvimento, apenas 10 litros. No caso português, as estimativas apontam para um consumo médio de 150 litros por dia, mas desses apenas 5 litros têm de ser água potável.

Para além de um problema ambiental e humanitário, o consumo desnecessário de água potável levanta também questões económico-financeiras, dado que a factura da água pesa bastante no orçamento familiar – cerca de 2 por cento, segundo as contas da Entidade Reguladora dos Sistemas de Águas e Resíduos. No Dia Mundial da Poupança, que se comemora sábado, 31 de Outubro, vale a pena pensar no que está ao alcance de cada um para diminuir esta factura.

Antes de mais, atitudes básicas: verifique o estado de conservação das torneiras, já que uma torneira a pingar gasta 25 litros de água por dia; feche a torneira quando se estiver a ensaboar, no duche, ou a fazer a barba – uma torneira aberta no lavatório pode gastar 9 litros de água por minuto; substitua os banhos de imersão por duches rápidos; faça descargas de autoclismo apenas quando necessário e, se possível, coloque uma garrafa de água cheia dentro do reservatório para diminuir o volume. Mas as sugestões não se ficam por aqui. “Xixi no banho” é o nome de uma campanha publicitária lançada por uma associação brasileira, cujo objectivo é estimular as pessoas a urinar no duche. Isto porque uma descarga de autoclismo a menos, por dia, equivale a 4380 litros de água potável por ano.

Substituir água potável por água da chuva

Utilizar a máquina de lavar roupa ou regar o jardim implica o gasto de cerca de 30 litros de água por dia. Uma forma de evitar este consumo é a utilização da água da chuva. A instalação de um depósito de recuperação destas águas pode permitir poupar até 50 por cento da factura mensal da água.

A utilização da água da chuva na rega de jardins e espaços verdes é mesmo uma das medidas previstas no Plano Nacional para o Uso Eficiente da Água (PNUEA). Segundo o plano, se for instalado um reservatório com volume suficiente para substituir 50 por cento das necessidades de rega, a poupança potencial desta medida é de 20 metros cúbicos anuais, por jardim.

Mas a água da chuva é utilizável em outras actividades básicas do dia-a-dia: pode satisfazer os grandes consumos nos edifícios, como banhos, autoclismos, ou a lavagem de espaços exteriores. Para a lavagem da roupa, também é possível utilizar água da chuva, mas existem ainda algumas dúvidas, relacionadas com questões sanitárias.

Portugal dá primeiros passos

Nos Estados Unidos, Japão, Hong Kong, Malásia, Austrália, Singapura, Israel, Alemanha e Brasil, entre outros países que têm escassez de água, a utilização e a investigação de águas pluviais para consumo e outros usos é uma realidade. No Brasil, há mesmo um projecto de lei que obriga ao aproveitamento da água das chuvas, datado de 2005. No entanto, em Portugal dão-se ainda os primeiros passos neste domínio.

Os poucos projectos que existem estão ligados a empreendimentos de cooperativas de habitação económica, como é o caso da Norbiceta, em Matosinhos, e da Colmeia, em Odivelas. No entanto, as potencialidades do País são enormes, tendo em conta a necessidade de utilização de grandes volumes de águas para regas, sobretudo no Alentejo e Algarve, em campos de golfe e em jardins dos empreendimentos turísticos ali existentes.

Para além disso, os especialistas apontam também vantagens económicas no uso desta tecnologia. Em habitações unifamiliares de cinco pessoas, o conjunto de infra-estruturas interiores da habitação, reservatório e equipamento electromecânico, custa entre 3 e 5 mil euros, dependendo dos usos dados à água recolhida e tratada. O tempo de retorno do investimento é de 10 a 12 anos, mas a rentabilidade é maior em edifícios colectivos e em indústrias.

TAGS: água , poupança , pluviais
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