Álvaro Menezes (Água - Brasil): A crise pode ser uma saída!

17.12.2015

Como diria o ex-Presidente da República Lula, “nunca antes na história deste país” se viu tanta crise provocadas por um governo só. Até a crise hídrica que tem a falta de chuva como forte componente, é amplificada pela visão ideológico partidária dos que dominam hoje o Brasil desde 2003.

 

Falta de gestão de recursos hídricos e de ações de controle preventivo como racionamentos, provocam cenários como o lago da represa de Sobradinho - maior lago artificial do mundo - com 6% de sua capacidade e o sistema Cantareira de São Paulo, a espera de um dilúvio que, se acontecesse, em nada mudaria o perfil de um manancial cujo balanço hídrico está mortalmente atingido por ações antrópicas antigas e mantidas.

 

Mas as crises podem representar oportunidades de mudanças de conceitos e comportamentos. Uma das crises destacadas é conhecida como “econômica” com efeitos fortes sobre a sociedade brasileira e impactos no setor de saneamento.

 

Entretanto, ela pode representar uma possibilidade de mudanças em 2016, ainda que sejam movimentos para manter respirando o setor de serviços, projetos e da construção civil. Algumas condições econômicas devem se alterar pouco, pois é provável que a queda do PIB estimada para o próximo ano seja até maior que a prevista, como também e até por consequência, os investimentos no setor de infraestrutura e saneamento com recursos diretos do Governo Federal caiam significativamente. De

 

forma muito breve, fazendo um passeio pela história recente do Brasil alguns dados levam a reflexões sobre modelos de gestão e resultados. Por exemplo: a população urbana atendida com água tratada em 1970 era de 60,5% e em 2013 é de 93%; a coleta de esgoto atingia 22% em 1970 e alcançava 56,3% em 2013 - em 2000 era 56%; o percentual do PIB investido em saneamento em 1970 foi 0,46%, caiu para 0,22% em 2005 e praticamente se mantém ao redor deste valor.

 

É claro que os momentos históricos explicam as situações naquelas épocas e não se pode querer repetir práticas, ainda que aparentem ter dado bons resultados. As expectativas de movimentação no setor de saneamento e infraestrutura em 2016 tem a ver com as possibilidades que a implantação de sistemas de esgotamento sanitário podem representar, como também com a participação do setor privado na gestão de serviços de água e esgoto tanto em concessões plenas como PPP. A janela de oportunidades está aberta pela necessidade de atender as demandas e a definição de focos mais objetivos de atuação já são uma realidade política, técnica e empresarial.

 

Álvaro José Menezes da Costa é engenheiro civil graduado pela UFAL (Universidade Federal do Estado de Alagoas) com especialização em Aproveitamento de Recursos Hídricos (UFAL) e Avaliação e Perícias de Engenharia (UNIP - Universidade Paulista). É vice-presidente nacional da ABES-Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental desde 2012 e sócio da GO Associados Consultoria Multidisciplinar, responsável pelo escritório Norte/Nordeste. É consultor independente na Álvaro Menezes Engenharia & Consultoria. Foi gestor público no setor de saneamento durante 30 anos, ocupando na CASAL-Cia. de Saneamento de Alagoas os cargos de diretor de operações(1989-1991) e comercial (2007-2008), vice-presidente de gestão operacional (2008-2010) e presidente (2011-2014). Na COMPESA-Cia. Pernambucana de Saneamento foi diretor técnico(1999-2006). Foi presidente do Conselho Fiscal da AESBE–Associação das Empresas de Saneamento Básico Estaduais entre 2011 e 2014 e membro de conselhos de administração da CASAL (1987/1989 e 2011/2014) e da COBEL - Cia. Beneficiadora de Lixo de Maceió (1995/1999).

TAGS: Opinião , Brasil , água e saneamento
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