António Bolognesi (Energia - Brasil): A importância da Eficiência Energética para o Brasil

30.12.2015

A crise política e de gestão trouxe consequências graves para a economia Brasileira. A produção na indústria caiu 11% e o consumo de energia reduziu mais de 3% nos últimos doze meses. Isso significa menor faturamento em todos os Setores da economia e implica na necessidade premente de redução de custos por uma questão de sobrevivência.

 

Nesse sentido, a eficiência energética que nunca teve uma atenção muito grande por parte das empresas, passou a ser seriamente considerada e avaliada. Muitos executivos e empresários pensavam tratar-se apenas da redução de consumo e da substituição de lâmpadas por outras mais eficientes, mas quando orientados por especialistas no assunto percebem que as possibilidades vão muito mais além.

 

Para o financiamento de projetos de eficiência energética, o BNDES – Banco Nacional de Desenvolvimento Economico e Social já possui linha de crédito dedicada. Recentemente melhoraram as condições de financiamento para linha Proesco, criada em 2006, a qual passa a se chamar BNDES Eficiência Energética, com condições financeiras mais atrativas. 

 

O prazo de pagamento, anteriormente limitado a 72 meses (carência mais amortização), foi flexibilizado, e agora poderá ser ampliado, conforme a especificidade de cada projeto ou conjunto de investimentos. O custo financeiro mantém como referência a Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP), atualmente em 6,5% ao ano, cuja alocação o BNDES reserva para os projetos que considera prioritários, conforme as mais recentes políticas operacionais do Banco. A participação máxima do BNDES como financiador foi mantida em até 70% do total do projeto.

 

Grandes grupos já se mobilizam para atender uma crescente demanda por serviços nessa área, como é o caso de uma empresa do grupo Cemig em parceria com o Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais, que juntos buscam um caminho para financiar e agilizar a implantação de melhorias nas instalações de seus clientes.

 

No aspecto regulatório, a ANEEL tem um arcabouço completo, o qual é sistematicamente atualizado de modo a atender as necessidades do mercado. Recentemente essa Agencia lançou o Manual do Programa de Eficiência Energética voltado para as empresas concessionárias ou permissionárias de Distribuição, as quais devem aplicar pelo menos 0,5% de sua receita operacional líquida em projetos de eficiência energética.

 

A legislação atual prevê, entre outros investimentos na área, que as empresas Distribuidoras também estão obrigadas a realizar seleção pública para projetos e oportunidades de eficientização voltadas a todos seus clientes.

 

Para o Setor Elétrico como um todo, o Ministério de Minas de Energia,  coordena o Plano Nacional de Eficiência Energética, cujo objetivo é mais amplo, envolvendo órgãos de Estado voltados exclusivamente para essa missão.

 

Desta forma, pode-se dizer que o Brasil evoluiu muito nos últimos anos em termos de legislação, regulação e preparação da “infraestrutura” para desenvolvimento de projetos na área de eficiência energética, no entanto, tem um longo caminho a percorrer no que diz respeito a aplicação prática das vantagens e conhecimento acumulados.

 

António Bolognesi é mestre em Administração pela PUC Minas e especialista em Geração de Energia de fontes convencionais e renováveis possuindo uma experiência de mais de 35 anos no sector eléctrico brasileiro. É Diretor da Operman – Engenharia e Consultoria. Foi Director Presidente da EMAE - Empresa Metropolitana de Águas e Energia de São Paulo e Director  da CESP - Companhia Energética de São Paulo. Foi ainda  membro do Conselho de Administração do ONS - Operador Nacional do Sistema Elétrico e da  CPOS - Companhia Paulista Obras e Serviços.

TAGS: Opinião , Brasil , António Bolognesi , energia
Vai gostar de ver
VOLTAR