APA detetou níveis de celulose no Tejo cinco mil vezes acima do normal

01.02.2018

As análises efetuadas pela Agência Portuguesa do Ambiente (APA) à água e espuma do Tejo detetaram níveis de celulose cinco mil vezes acima do normal. A informação foi avançada ontem pelo presidente da APA, Nuno Lacasta, aos jornalistas em conferência de imprensa.

 

Nuno Lacasta confirmou que o acumular da carga orgânica, com origem nas indústrias de pasta de papel situadas a montante do açude de Abrantes, tem um impacto negativo e significativo na qualidade da água do rio, situação que está a ser alvo de investigação.

 

Os testes foram realizados com a colaboração do Instituto Superior de Agronomia no dia 24 e comparados com os valores que resultaram da monitorização feita no ano passado na zona.

 

Na sua página oficial a APA explica que a capacidade de carga do rio já estava significativamente reduzida. “O Tejo não tem cheias desde maio de 2016. O ano de 2017 caracterizou-se por temperaturas muito elevadas, com ondas de calor inclusivamente em novembro. A precipitação tem sido igualmente abaixo da média, o que tem determinado a situação de seca que se observa. Há, portanto, uma redução dos caudais no rio, facto que consequentemente diminui a capacidade de carga das massas de água /meio recetor, atendendo aos usos existentes no rio Tejo”, explica a Agência Portuguesa do Ambiente.

Desde o início de 2017 que a APA reforçou a monitorização da qualidade da água no rio Tejo, com principal enfoque nas albufeiras de Fratel e Belver. A partir de novembro, têm vindo a ser realizadas amostragens de dois em dois dias e, mais recentemente, todos os dias.

A monitorização e fiscalização efetuadas, relativamente ao parâmetro CQO (Carência Química de Oxigénio), têm demonstrado valores elevados, "acima da capacidade de carga que a massa de água consegue assimilar", revela a APA.

Esta elevada carga de matéria orgânica tem provocado a redução significativa do oxigénio dissolvido no meio recetor, conduzindo pontualmente a condições de anoxia (ausência de oxigénio), "facto que é negativo para o bom estado do rio".

 

Foto: APA

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