APREN favorável à exportação de electricidade renovável para a Europa

António Sá da Costa denuncia os poderosos lobbies das eléctricas europeias

21.01.2014

“Portugal encontra-se actualmente em condições de poder exportar electricidade renovável para a Europa, que dela tão carece”, escreve em Artigo de Opinião para o Portal Ambiente Online António Sá da Costa, presidente da APREN – Associação Portuguesa de Energias Renováveis, “mas não o pode fazer pois as interligações da Península Ibérica com a Europa são muito limitadas”.

 

A conclusão deste responsável surge depois de se saber que Portugal atingiu em 2013 um valor recorde na energia limpa. Cerca de 60% do consumo de eletricidade em Portugal no ano passado foi oriundo de fontes renováveis, valor que representa um aumento de 20% em relação ao ano passado, segundo os dados de produção de electricidade publicados pela REN.

 

António Sá da Costa relembra no artigo que “segundo os critérios estabelecidos para o sector, um verdadeiro mercado europeu interno da energia só funcionará devidamente se as interligações da Península à Europa forem da ordem de grandeza de 10% da potência instalada na Península, isto é 12 GW”. Contudo, diz o especialista, a interligação existente actualmente pouco passa de 1 GW.

 

O Presidente da APREN recorda ainda os esforços que os sucessivos governos portugueses têm feito para impor em Bruxelas um calendário vinculativo para o desenvolvimento de novas ligações entre a Península Ibérica e o resto da Europa, porém questiona o sucesso do esforço diplomático e denuncia os “poderosos lobbies das grandes eléctricas europeias [que] tentam asfixiar esta acção”. “Também no sector da electricidade existe quem não nos queira ver levantar a cabeça e tudo fará para nos contrariar”, escreve o presidente da APREN.

 

Recorde-se que o ministro do Ambiente e da Energia formalizou na semana passada junto da Comissão Europeia uma proposta para que os Estados-membros sejam obrigados a ter interligações de electricidade equivalentes a 25% da sua capacidade de produção, de modo a permitir um maior aproveitamento do potencial renovável de alguns países, como Portugal.

 

Para o ministro português, Jorge Moreira da Silva esta meta vinculativa deveria ser uma realidade até 2030, de forma a aumentar a exportação de energias renováveis de países como Portugal e Espanha, mais abundantes em sol e vento. 

 

Jorge Moreira da Silva estabelece, ainda, as metas intercalares deste processo de interligação de redes. Segundo o ministro, a capacidade de interligação entre os Estados-membros” deverá estar nos 10% a “muito curto prazo, ambicionando em 2020 uma meta intermédia de 12%. Até alcançar, em 2030, os 25% de capacidade de interligação.

 

A exportação de electricidade renovável não é uma realidade estranha a Portugal, que o faz regularmente para Espanha em períodos em que a fonte eólica é abundante e existem excedentes de produção. Porém, com interligações deficientes entre Portugal e Espanha, a península ibérica surge isolada do resto da Europa.   

 

Com a fixação de metas, Portugal passaria a ter um melhor aproveitamento do seu potencial de energias renováveis, que de acordo com o Público, é quatro vezes superior à capacidade eólica a actualmente instalada (perto de 5 gigawatts).

 

Actualmente Portugal já exporta electricidade para Espanha, sobretudo em momentos em que o recurso eólico é abundante e excede as necessidades de consumo nacional.

 

Contudo, a fraca capacidade de interligação eléctrica entre Espanha e França tem deixado a Península Ibérica relativamente isolada do resto da Europa, diminuindo a capacidade da região ibérica de explorar mais os seus recursos renováveis.

TAGS: energia renovável , António Sá da Costa , APREN
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