Barreiro considera “chocante” que municípios tenham sido esquecidos na reforma da água

Vice-presidente Sofia Martins admite interpor acções em tribunal para travar processo

24.10.2014

A vice-presidente da Câmara Municipal do Barreiro, com o pelouro de águas e resíduos, Sofia Martins (CDU), considera “chocante” que os municípios não tenham sido envolvidos na construção da proposta da reforma do sector da água já apresentada pelo Ministro do Ambiente, Ordenamento do Território e Energia.

 

“Tudo isto foi feito sem envolver os municípios que deveriam ter sido envolvidos desde a fase inicial”, critica a responsável em declarações ao Ambiente Online.

 

Sofia Martins garante que o município do Barreiro está contra a proposta e vai lutar pela sua posição “politica e juridicamente” admitindo avançar com acções em tribunal para travar o processo, tal como o fez para contestar a privatização dos resíduos, cujas acções ainda decorrem.

 

Para Sofia Martins o mapa de agregação de sistemas - que passam a ser cinco em vez de 19 - leva a uma “escala megalómana” com “uma visão exclusivamente “economicista” e sem a preocupação das reais necessidades dos consumidores de cada município, o que vai ser “prejudicial”, avisa.

 

“Num grande sistema um simples consumidor passa a contar muito pouco. É completamente diferente do que ter no meu gabinete, à minha frente, uma pessoa a explicar por que razão considera importante ter um colector na sua rua”, ilustra.

 

Sofia Martins considera que não faz sentido que o Governo queira atingir o equilíbrio dos vários sistemas à custa de outros. “Se algum sistema tem dificuldade em praticar determinadas tarifas o Estado tem que ajudar por meio de impostos que já pagamos”, defende.

 

A vice-presidente não entende por que razão vai o Ministério do Ambiente auscultar os municípios tendo em conta que não há margem de escolha. “O ministro já nos disse que não poderemos ficar fora do sistema. Sendo assim, e por que já dissemos que estamos, contra para que nos vêm auscultar? É um processo de faz de conta”, lamenta.

 

Para a autarca este é o abrir de portas à privatização do sector da água, tal como aconteceu com os resíduos, ainda que o ministro recuse essa ideia, sublinha.

 

A Câmara Municipal do Barreiro assegura o abastecimento de água à população e está integrada nos sistemas multimunicipais SIMARSUL, para o saneamento de águas residuais, e AMARSUL para Valorização e Tratamento de Resíduos Sólidos S.A.. 

 

Ana Santiago 

TAGS: reforma da água , Barreiro , Sofia Martins
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