António Bolognesi (Energia - Brasil): Oportunidades de negócio com Geração Distribuída

15.12.2015

Os negócios com geração distribuída no Brasil estão apenas começando. Atualmente são 1125 conexões no País que representam potência instalada de 13,1 megawatts (MW). A fonte mais utilizada pelos consumidores é a solar com 1074 conexões, seguida da eólica com 30. Atualmente, o Estado que possui mais micro e mini geradores é Minas Gerais com 213 instalações, seguido de Rio de Janeiro com 110 e Rio Grande do Sul com 109. No entanto, a expectativa é que aproximadamente 700 mil consumidores residenciais e comerciais instalem micro geração solar fotovoltaica até o ano de 2024, totalizando 2 GW de potência instalada.

 

Desde a publicação da Resolução Normativa nº 482/2012 da ANEEL, o Governo Federal tem se esforçado para melhorar as condições e estimular o investimento em Geração Distribuída. Essa Resolução é a regra que estabelece as condições gerais para o acesso de micro e mini geração aos sistemas de distribuição de energia elétrica, válida apenas para fontes incentivadas de energia (solar, eólica, biomassa, hidráulica de pequeno porte e cogeração qualificada). Com o intuito de corrigir distorções e aumentar a atratividade dos investimentos, essa norma está em fase de revisão, cujo principal objetivo é a redução das barreiras ainda existentes à conexão da micro e mini geração, e a compatibilização das regras do sistema de compensação de energia elétrica com as Condições Gerais de Fornecimento. Os pontos mais relevantes dessa revisão são:

 

  • Ampliar as fontes de energia participantes do sistema de compensação: fontes renováveis e cogeração qualificada;
  • Redefinição dos limites de potência para micro geração (75 kW) e mini geração (3MW – hidráulica e 5 MW- outras fontes);
  • Permitir que consumidores localizados em áreas contíguas (ex: condomínios residenciais e comerciais) possam participar do sistema de compensação;
  • Melhorar as informações constantes das faturas de energia para os consumidores, de forma a melhorar o entendimento sobre o sistema de compensação;
  • Não cobrar o custo de adequação da medição;
  • Não permitir que cargas associadas ao sistema auxiliar da central geradora sejam usadas para comprovar a carga instalada da unidade consumidora do grupo B (baixa tensão). O objetivo é garantir que a geração esteja junto à carga, situação em que os benefícios para a rede são maiores;
  • Aplicar um fator de ajuste sobre a energia injetada por unidade consumidora do Grupo A (alta tensão) e utilizado em outra do Grupo B, exceto em unidades localizadas em áreas contíguas (ex: condomínios),  para corrigir a distorção entre as tarifas;
  • Corrigir distorções no faturamento;
  • Padronizar e simplificar as informações e documentos que o consumidor deve apresentar à distribuidora para solicitar o acesso da micro ou mini geração;
  • Reduzir o tempo e o custo do consumidor para se conectar a micro ou mini geração.

 

Com essas medidas, juntamente com outros incentivos, espera-se que hajam condições mais favoráveis ao desenvolvimento acelerado de negócios nessa área, que além de estimular a economia, contribui para o aumento da oferta de energia diretamente no ponto de consumo, reduzindo a necessidade de investimentos adicionais nos sistemas de transmissão. 

 

António Bolognesi é mestre em Administração pela PUC Minas e especialista em Geração de Energia de fontes convencionais e renováveis possuindo uma experiência de mais de 35 anos no sector eléctrico brasileiro. É Diretor da Operman – Engenharia e Consultoria. Foi Director Presidente da EMAE - Empresa Metropolitana de Águas e Energia de São Paulo e Director  da CESP - Companhia Energética de São Paulo. Foi ainda  membro do Conselho de Administração do ONS - Operador Nacional do Sistema Elétrico e da  CPOS - Companhia Paulista Obras e Serviços.

TAGS: António Bolognesi , energia , Brasil , Geração Distribuída
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