Opinião Carlos Zorrinho: "Alterações Climáticas - Um tema global"

15.06.2015

A 29ª Assembleia Parlamentar União Europeia – África, Caraíbas e Pacífico (UE-ACP) que decorre entre 15 e 17 de Junho em Suva, Ilhas Fidji, para além de apreciar os vários dossiers em aberto entre as duas regiões, entre os quais os importantes dossiers da sustentabilidade das pescas e dos acordos de parceria comercial, dá especial relevância ao tema das alterações climáticas.

 

Ao contrário do que é habitual nestas grandes cimeiras inter-regionais, este tema não foi colocado na agenda por sugestão unilateral da UE. Do outro lado, em particular por parte dos Países do Pacífico, houve também um interesse forte em tornar o tema prioritário.

 

Esta alteração de comportamento não surpreende tendo em conta que a própria Assembleia só não se realizou em Vanuatu devido à catástrofe climática que fustigou e destruiu fortemente este País, que Kiribati e Tuvalu entre outros estão em risco de desaparecer e são cada vez mais os “refugiados climáticos” nesta zona do Globo.

 

Seis anos depois da Conferência do Clima de Copenhaga em que não foi possível assinar um acordo vinculativo contra o aquecimento global, o impacto concreto das mudanças climáticas, mais do que qualquer teoria ou modelo, está a ser o grande motor que permite acreditar que a Conferência de Paris, no final deste ano, poderá chegar a um acordo ambicioso e efetivo.

 

Nas Ilhas Fidji por exemplo, não apenas a atitude mudou, como pude observar acções concretas para reduzir as emissões de carbono e para mitigar os riscos no caso de um fenómeno com a dimensão do que aconteceu em Vanuatu, assolar o Arquipélago. Em consequência, comunidades inteiras estão a ser localizadas em zonas mais seguras, sendo as vilas e aldeias reconstruídas em terrenos mais recuados em relação ao mar, mas também com novas normas de organização social e ambiental.

 

O exemplo que sublinho confirma uma ideia que é cada vez mais central. O combate às alterações climáticas é um objetivo que vale por si próprio mas que tem consequências que vão muito para além do comportamento dos termómetros e das suas consequências sistémicas. Ele está a obrigar a repensar a forma como vivemos, como nos organizamos e como nos relacionamos com a natureza e com os recursos.

 

As alterações climáticas são um tema global num duplo sentido. Global porque afeta a todos e global porque muda o contexto da organização económica, social e ambiental e constitui uma oportunidade para fazer emergir uma globalização mais justa e centrada nas pessoas e no respeito pelo planeta.

 

Carlos Zorrinho, eurodeputado do PS, membro da Comissão da Indústria, da Investigação e da Energia no Parlamento Europeu, é licenciado em Gestão de Empresas e doutorado em Gestão de Informação pela Universidade de Évora. Foi professor catedrático do Departamento de Gestão da Universidade de Évora, deputado à Assembleia da República pelo PS (1995-2002 e 2004-2014), líder Parlamentar do Partido Socialista na Assembleia da República (2011-2014) e, no Governo, ocupou as funções de Secretário de Estado da Energia e da Inovação (2009 e 2011) e secretário de estado Adjunto da Administração Interna entre 2000 e 2002. O autor escreve, por opção, ao abrigo do Novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa.

TAGS: Opinião , Carlos Zorrinho , alterações climáticas
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