Cláudia Cordovil (ISA): “Poluição por azoto tem que ser encarada de forma multidisciplinar” (C/ VÍDEO)

Projecto internacional Towards INMS, que vai estudar formas eficientes de gestão deste elemento, tem participação portuguesa

17.07.2015

Um projecto de investigação internacional financiado pelo Programa das Nações Unidas para o Ambiente (UNEP), que vai ser desenvolvido ao longo de quatro anos, entre 2016 e 2019, para estudar formas eficientes de gerir o azoto (nitrogénio), que quando utilizado em excesso provoca poluição, tem a participação da Universidade de Lisboa através do Instituto Superior de Agronomia e Faculdade de Ciências.

 

O Towards INMS - International Nitrogen Management System, em colaboração com a TFRN - Task Force on Reactive Nitrogen, projectos que integram cientistas dos vários continentes, vão tentar encontrar uma forma eficiente de gerir o azoto que se encontra em excesso na maior parte das regiões do mundo, mas que, por outro lado, é necessário noutras zonas do planeta para a produção de alimentos.  

 

“A ideia é que retiremos aquilo que é positivo numas zonas para aplicar noutras zonas gerindo o azoto de uma forma correcta já que é um elemento absolutamente crítico para a produção vegetal”, explica ao Ambiente Online a professora do Instituto Superior de Agronomia, Cláudia Cordovil, que integra o projecto INMS e é e co-coordenadora do Task Force on Reactive Nitrogen.

 

Vão ser abordados casos de estudo em várias partes do mundo, desde a América Latina, passando por África, Ásia até à Europa oriental. O projecto está na fase final de entrega de candidaturas embora os investigadores já tenham lançado mãos à obra. 

 

O azoto está associado sobretudo à actividade agrícola, porque está presente nos fertilizantes, mas também está ligado ao sector da energia e transportes, que contribuem igualmente para a poluição do ambiente com compostos azotados, explica Cláudia Cordovil. Os impactos negativos da poluição por azoto, que contamina a água, o solo e o ar, reflectem-se na saúde humana e biodiversidade.

 

“Muitas vezes acontece que os especialistas estudam sectores muito específicos destas questões. Uma visão holística é muito importante porque este problema do azoto é multidisciplinar e que não pode ser encarado de uma forma vertical. Tem que ser encarado de uma forma horizontal, incluindo diversos sectores de actividade”, sublinha Cláudia Cordovil que explica que o objectivo do projecto é “fornecer evidências técnicas e científica para que depois as altas instâncias melhorem as políticas existentes”.

 

A investigadora considera que é importante que Portugal se encontre neste tipo de projectos internacionais e que tenha uma palavra a dizer.

 

No âmbito do projecto os cientistas propõem dar contributos para a redução de emissões de 20 milhões de toneladas de nitrogénio por ano até 2020, o que se traduzirá numa poupança para o ambiente equivalente a 156 mil milhões euros/ano.

  

O coordenador do projeto Towards INMS e investigador do Natural Environment Research Council, na Escócia, Mark Sutton, defende uma abordagem revolucionária ao problema que passa por capturar o nitrogénio, em vez de destruí-lo, reintegrando-o no circuito produtivo e dando origem a novos fertilizantes.

 

Ana Santiago

TAGS: poluição , nitrogénio , azoto , Instituto Superior de Agronomia , Claúdia Cordovil , Faculdade de Ciências , Universidade de Lisboa
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