Colunista Adérito Mendes (Água - Tendências): Os novos profissionais da Água

17.12.2015

Quando nos distanciamos na paisagem e aguardamos o tempo suficiente vemos com clareza os cambiantes que vão ocorrendo. Se fizermos o mesmo no mundo empresarial vemos mais friamente a evolução e o rumo que ocorrem nos sectores de actividade económica.

 

No caso da água, que não é um sector na classificação das actividades económicas, com o distanciamento adequado podemos distinguir os principais avanços, desafios e tendências que se colocam a quantos desenvolvem a sua actividade profissional e económica neste domínio.

 

Poderíamos abordar estas questões pelas áreas específicas tradicionais da gestão da água, qualidade, quantidade, segurança, economia, ou pelos sectores económicos mais impactantes, agricultura, produção de energia, urbanismo, industria, turismo, ou pelos aspectos temáticos de maior intensidade de urgência na resolução de problemas actuais ou perspectivados para o futuro próximo. Optamos por este último que será mais consentâneo com a natureza deste artigo de opinião.

 

Penso que não serão apenas os problemas associados ao incumprimento das disposições legais que marcarão as iniciativas e os investimentos no domínio da água, embora as grandes acções e investimentos venham associados à disponibilidade de fundos públicos até ao início da próxima década.

 

Creio mesmo que as mentalidades dos jovens que a crise em que persistimos está a criar, pela dificuldade de emprego, irão gerar uma comunidade de empreendedores com novas iniciativas no domínio do ambiente em geral e da água em particular.

 

A onda migratória dos jovens licenciados não creio que vá terminar tão cedo, não apenas pela persistência da crise, mas porque as empresas ao adquirirem competências de ponta no domínio da água e actuando num mercado nacional que é muito limitado vão sentir necessidade de, para crescerem, alargarem o âmbito territorial da sua actividade.

 

É aí que joga um papel determinante a imensidão do espaço lusófono onde a vantagem competitiva da língua irá contribuir para a aceitação das propostas das empresas portuguesas que se apresentarem a concurso com as de outras línguas. E, atrás dessas propostas, irá a energia dos jovens técnicos portugueses que, como a generalidade dos jovens, têm a vontade de enfrentar os novos desafios mesmo quando tenham que afastarem-se dos seus laços mais fortes para vencerem na vida.

 

Adérito Mendes, engenheiro civil do ramo de hidráulica, formado em 1976 pelo Instituto Superior Técnico, é pós-graduado em “Alta Direcção em Administração Pública” e especialista em “Hidráulica e Recursos Hídricos”. Foi Coordenador Nacional do Plano Nacional da Água – 1998/2002 e 2009/2011 e autor de dezenas de estudos, projectos e pareceres relacionados com recursos hídricos. Começou a carreira como técnico superior na Direcção Geral dos Recursos e Aproveitamentos Hidráulicos, em 1977, passou pela Direcção Geral dos Recursos Naturais. Além de profissional liberal na área de estudos, projectos e obras hidráulicas, foi Director de Serviços de Planeamento do Instituto da Água-1988-2011, assessor de serviços de Comissão Directiva do POVT-QREN e assessor da presidência da Agência Portuguesa do Ambiente. Exerceu ainda as funções de docente do Instituto Superior de Engenharia de Lisboa-2002-2014.

TAGS: Opinião , Adérito Mendes , água , tendências , novos profissionais
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