Colunista António Sá da Costa (Energia - Renováveis): A COP 21 de Paris

04.11.2015

De 30 de novembro a 11 de dezembro, deste ano, decorrerá em Paris a CoP 21 (21stConference of Partners). Muito se espera deste evento uma vez que depois da Conferência de Quioto em 1997, todas as outras reuniões de líderes mundiais para tratar das questões do clima se têm pautado por um cinzentismo nos resultados, que nada tem acrescentado ao combate às alterações climáticas.

 

Por vezes dou comigo a pensar que estes líderes julgam que o Planeta está “parado” à espera que eles cheguem a um acordo, que se pretende que seja consensual e o mais alargado possível, para ter efeitos palpáveis.

 

Mas como essa “paragem” não aconteceu os equilíbrios geo-climáticos do Planeta vão-se degradando a um ritmo rápido e irreversível e, a cada ano que passa, tem de ser maior a intervenção necessária para conter a situação que está a tomar dimensões económicas insuportáveis que está a deixar uma pegada grave na área social e humana.

 

As pessoas não perceberam ainda que as alterações climáticas não são sentidas de um ano para o outro, não se referem ao tempo da meteorologia, mas antes as alterações que se vão verificando de uma forma contínua, como por exemplo a diminuição do volume das calotes de gelo polar.

 

Este problema afeta todos nós pelo que cada um de nós por si, e todos em conjunto enquanto país parte integrante da população da Terra temos um papel a desempenhar.

 

Sem querer ter a veleidade de que a minha voz será ouvida pelos tais líderes, venho aqui dizer o que espero desta CoP 21, ou antes do acordo que resultar das negociações entre todos os stakeholders.

 

Assim o acordo deverá:

  • ser universal e vinculativo;
  • definir uma redução até 2050 das emissões dos GEE tomando como base os valores de 1990;
  • prever revisões de 5 em 5 anos de forma a ser ajustado à realidade;
  • contemplar a criação de um fundo para ajudar a mitigar os custos das alterações climáticas nos países mais desfavorecidos.

Se se conseguir isto já é muito bom, mas claro há mais um conjunto de aspetos operacionais que são importantes e que têm de ser acordados de forma a os outros objetivos sejam alcançados.

 

Tenho muita esperança que se consigam estes objetivos, pois será o modo de garantidamente caminharmos para um futuro mais sustentável e no qual as energias renováveis terão um papel incontornável e fundamental.

 

Portugal neste aspeto tem tido um comportamento exemplar e espero vir a ter oportunidade de o reafirmar em Paris.

 

António Sá da Costa é presidente da APREN – Associação Portuguesa de Energias Renováveis e Vice-Presidente da EREF – European Renewable Energy Federation e da ESHA – European Small Hydro Association. Licenciou-se como Engenheiro Civil pelo IST- UTL (Instituto Superior Técnico da Universidade Técnica de Lisboa) (1972) e tem PhD e Master of Science pelo MIT (Massachusetts Institute of Technology (USA) em Recursos Hídricos (1979). Foi docente do IST no Departamento de Hidráulica e Recursos Hídricos de 1970 a 1998, tendo sido Professor Associado durante 14 anos; tem ainda leccionado disciplinas no âmbito de cursos de mestrado na área das energias renováveis, nomeadamente na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa e na Escola Superior de Tecnologia e Gestão de Portalegre; Exerceu a profissão de engenheiro consultor durante mais de 30 anos, sendo de destacar a realização de centenas de estudos e projectos na área das pequenas centrais hidroeléctricas; Foi fundador do Grupo Enersis de que foi administrador de 1988 a 2008, onde foi responsável pelo desenvolvimento de projectos no sector eólico e das ondas e foi Vice-Presidente da APE – Associação Portuguesa da Energia de 2003 a 2011.O autor escreve, por opção, ao abrigo do novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa. 

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