Colunista António Sá da Costa (Energia - Renováveis): A última opinião de 2015

09.12.2015

No final de 2015 trago uma mensagem de esperança baseada no que aconteceu recentemente e no que está a decorrer em Paris no COP 21.

 

A conferência da APREN do passado dia 3 constituiu uma jornada de grande vivacidade e muita “energia” não só por ter tido a maior audiência de sempre, 420 participantes, a qualidade dos oradores e a discussão que proporcionou, mas também e fundamentalmente pela juventude de muitos dos participantes. Mais de 100 jovens estudantes estiveram presentes com uma ânsia de participar ativamente nesta incontornável transição do setor e uma avidez de dar o seu contributo ao País nas energias renováveis.

 

É deste tipo de atitude que Portugal precisa. Estou plenamente convencido que o futuro do setor das energias renováveis estará bem entregue a esta nova geração.

 

Até 11 de dezembro decorre em Paris a CoP 21 (21stConference of Partners). As notícias sobre este evento dão-me alguma esperança que os resultados desta vez sejam melhores dos verificados nas últimas CoPs.

 

Contudo fica um certo amargo por sentir que os interesses económicos e imediatistas de alguns países ou blocos geopolíticos, muito “agarrados” aos interesses do carvão e dos hidrocarbonetos, não permitam ir mais longe na forma como cada país se obriga aos compromissos em causa. Os acordos não podem ser indicativos, e isto leva a um primeiro passo para o não cumprimento, e quem sofre é o Planeta, isto é todos nós.

 

Espero que os líderes das principais economias percebam bem o que está em jogo e resolvam comprometer os seus países de uma forma séria e firme, dando exemplo para que os outros países os sigam.

 

Portugal tem sido apontado internacionalmente como um exemplo a seguir no que se refere à eletricidade renovável e isso mesmo irei apresentar em Paris no último dia da CoP 21.

 

Também uma nota de esperança no novo Governo de Portugal. Esperança de que compreenda bem o que se tem feito no setor nos últimos anos, que potencie a forma de rapidamente Portugal cumprir as metas a que nos propusemos e que dialogue com os stakeholders de forma a encontrar as soluções que melhor cumpram as expectativas de todos, numa ótica de sustentabilidade da nossa economia e de bem-estar da população, pois o impacto da poluição atmosférica e o aquecimento global já representam, hoje em dia, custos elevados para o País.

 

A última palavra é para vos desejar Boas Festas e um ótimo 2016 com muita eletricidade renovável pois: Portugal precisa da nossa energia.


António Sá da Costa é presidente da APREN – Associação Portuguesa de Energias Renováveis e Vice-Presidente da EREF – European Renewable Energy Federation e da ESHA – European Small Hydro Association. Licenciou-se como Engenheiro Civil pelo IST- UTL (Instituto Superior Técnico da Universidade Técnica de Lisboa) (1972) e tem PhD e Master of Science pelo MIT (Massachusetts Institute of Technology (USA) em Recursos Hídricos (1979). Foi docente do IST no Departamento de Hidráulica e Recursos Hídricos de 1970 a 1998, tendo sido Professor Associado durante 14 anos; tem ainda leccionado disciplinas no âmbito de cursos de mestrado na área das energias renováveis, nomeadamente na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa e na Escola Superior de Tecnologia e Gestão de Portalegre; Exerceu a profissão de engenheiro consultor durante mais de 30 anos, sendo de destacar a realização de centenas de estudos e projectos na área das pequenas centrais hidroeléctricas; Foi fundador do Grupo Enersis de que foi administrador de 1988 a 2008, onde foi responsável pelo desenvolvimento de projectos no sector eólico e das ondas e foi Vice-Presidente da APE – Associação Portuguesa da Energia de 2003 a 2011.O autor escreve, por opção, ao abrigo do novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa. 

TAGS: Opinião , António Sá da Costa , renováveis , APREN , COP 21
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