Comentário Jaime Melo Baptista: Qual é a forma mais simples de economizar água em sua casa?

31.05.2017

A necessidade de poupança de água é hoje praticamente consensual em todo o mundo. Portugal dispõe de um “Programa Nacional para o Uso Eficiente da Água” desde 2000, com uma vida atribulada e cujo estado atual de implementação desconheço. Desse programa constam meia centena de medidas para o setor urbano, umas mais complexas e outras mais simples de implementar.

 

Em 2006 o então IRAR editou em parceria com o INAG e o LNEC o Guia Técnico intitulado “Uso Eficiente da Água no Sector Urbano”, destinado às entidades gestoras de serviços de águas, que especifica 45 medidas e foi profusamente distribuído por todo o setor, continuando disponível gratuitamente no sítio da Internet da ERSAR.

 

Diversas entidades gestoras em Portugal têm vindo a assumir um compromisso sério nesta área e têm tido um papel de sensibilização importante dos consumidores. Mas muitas outras não conseguem sensibilizar ninguém enquanto elas próprias não reduzirem significativamente as elevadas perdas de água nos seus sistemas de abastecimento.

 

E nós cidadãos lá vamos procurando dar uma atenção crescente ao assunto, muitas vezes pressionados pelos filhos e netos. Em geral ficamos algo perdidos entre tantas recomendações nem sempre fáceis ou oportunas de implementar.

 

Refiro aqui uma recomendações realmente fácil e de retorno garantido. O consumo de água nas torneiras das nossas casas de banho depende naturalmente dos modelos e modernidade de equipamentos instalados mas essencialmente da pressão na rede de distribuição pública que nos serve. Se essa pressão for elevada os nossos consumos tendem a ser maiores. E naturalmente os cidadãos não controlam nem conhecem essa pressão, que aliás varia ao longo do dia.

 

Aqui surge uma oportunidade fácil e sem custos para economizar água. À hora de jantar, em que os consumos são em geral mais elevados, deve o cidadão num primeiro passo abrir ao máximo cada torneira da sua habitação e medir com uma mangueira e um balde de capacidade conhecida o volume total de água durante um minuto. Imagine que mede 9 litros, o que pode acontecer facilmente. Num segundo passo deve ir fechando gradualmente a válvula de segurança, em geral existente por baixo do lavatório, para reduzir por tentativas o caudal, de modo a que o volume máximo de água da torneira durante um minuto não ultrapasse 6 litros, considerado um valor adequado e em geral suficiente para o fim a que se destina.

 

Assim, consegue economizar 33% de água nessas torneiras sem grande esforço, sem gastar tempo e sem custos. E por muito anos. É esta provavelmente a maneira mais simples para economizar água. E talvez então se entusiasme e procure outras medidas no Guia Técnico “Uso Eficiente da Água no Sector Urbano”. Não precisa de esperar pela implementação do Plano Nacional para o Uso Eficiente da Água, que infelizmente tem sido mais uma fonte de inspiração do que um efetivo plano nacional.

 

Jaime Melo Baptista, engenheiro civil especializado em engenharia sanitária, é Investigador-Coordenador do LNEC, Presidente do Conselho Estratégico da PPA e Comissário de Portugal ao 8.º Fórum Mundial da Água 2018. Foi membro do conselho de administração e do conselho estratégico da IWA. Foi presidente da ERSAR (2003-2015), responsável pelo Departamento de Hidráulica (1990-2000) e pelo Núcleo de Hidráulica Sanitária (1980-1989) do LNEC, diretor da revista Ambiente 21 (2001-2003) e consultor. Foi distinguido com o IWA Award for Outstanding Contribution to Water Management and Science.

TAGS: Jaime Melo Baptista , água , poupança
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