Comentário João Vaz (Resíduos): "O PAYT não é um bicho de sete cabeças"

30.01.2015

O sistema PAYT é a aplicação do Princípio Poluidor- Pagador à gestão de Resíduos Urbanos. A recente notícia sobre o teste de um PAYT em Portimão poderá levar a pensar que este "é caro, difícil de implementar e sem retorno".

 

Contudo, devemos elucidar, decisores e técnicos, para o facto de existirem variados sistemas PAYT. Alguns baratos e simples, por exemplo tendo por base o volume utilizado, e sem uma pesada vertente tecnológica (usados na Alemanha, Bélgica, Rep. Checa), outros mais sofisticados (Holanda) como acontece em Portimão.

 

Bastará visitar estas regiões da Europa para verificar que a introdução destes sistemas é abrangente e com contenção de custos. Logo à partida a aplicação do Poluidor-Pagador tem a garantia de uma redução significativa da produção de resíduos indiferenciados, sendo os investimentos amortizáveis a médio prazo.

 

A difícil e tardia introdução do PAYT em Portugal deve-se ao temor em responsabilizar as pessoas, empresas e instituições pelos resíduos que produzem. Soma-se a persistência em políticas de contentorização comunitária (contentor na rua, anónimo) e temos assim as condições para que o PAYT não avance.

 

Felizmente, surgem algumas iniciativas (Guimarães, Green Awards; MAIAMBIENTE) com soluções práticas introdução destes sistemas.

 

João Vaz é fundador da ECOGESTUS Lda. Desde 1998 que estuda os resíduos urbanos, desde a optimização da recolha até elaboração de cenários estratégicos. É autor do Plano Nacional de Resíduos de São Tomé e Príncipe e projectos de Estações de Compostagem.

TAGS: Comentário , resíduos , João Vaz , PAYT
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