Crise dos Combustíveis: Onde ficou o programa dos Pipelines?

17.04.2019

A greve dos motoristas de transporte de matérias perigosas já tinha causado graves problemas em 2008. A sua memória e a necessidade de reduzir emissões levou Jorge Seguro Sanches, na altura secretário de Estado do Ambiente, a promover um plano de construção de uma rede de pipelines com o intuito de retirar das estradas camiões de transporte de combustíveis.


Na edição de Fevereiro de 2016, o jornal Água&Ambiente lançava a notícia e dedicava a manchete ao tema. Aprofundando o plano, a matéria jornalística - obtida em primeira mão -, mencionava que só uma ligação por oleoduto de 40 kms entre as instalações de Aveiras da Companhia Logistica de Combustíveis e o aeroporto de Lisboa, permitiria retirar diariamente 140 camiões cisterna das estradas, número que passava a 305 considerando igualmente o abastecimento das estações rodoviárias na região da capital do país. Mencionava ainda que o Aeroporto de Lisboa era o único internacional sem ligação por pipeline exigindo transporte rodoviário. De facto, a edificação da Expo98 interrompeu o pipeline entre Cabo Ruivo e a Portela de Sacavém.


Lembrando a importância da greve de 2008, na altura extensível a todos os transportes pesados, o jornal revelava que a rede de pipelines, prevista em 2016, tinha uma função extraordinária em termos ambientais. A estimativa do jornal apontava para uma poupança de 5000 toneladas de CO2 por ano.


No lado da eficiência energética e inquirido pelo jornal, Paulo Carmona, então presidente da Entidade Nacional para o Mercado dos Conmbustíveis, confirmava a valia da solução ilustrando com uma redução média de 4,5 vezes a solução pipeline em lugar de transporte rodoviário. Carmona, hoje comentador regular do Ambiente Online, salientava ainda que os oleodutos funcionam tendo como energia eletricidade e esta, já em 2016, tinha forte componente de fontes renováveis.


Um programa de construção de uma rede de pipelines era a via perfeita para, segundo o jornal, confirmar “a orientação do Governo em descarbonizar a economia, lutar contra a dependência dos combustíveis fósseis e apostar na eficiência energética”.

 

 

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