Gestão inteligente de resíduos em Cascais já permitiu poupar 900 mil euros

Ainda em 2015 os sensores de enchimento vão ser instalados também em contentores de superfície

27.03.2015

O sistema inteligente de gestão de resíduos de Cascais, que inclui sensores de enchimento instalados nas ilhas ecológicas, já permitiu reduzir em 13 por cento os gastos directos com prestação do serviço de recolha.

 

Entre 2011 e 2014 os custos directos com os serviços de recolha passaram de 7.090.731 euros para 6.194.363 euros, o que representa uma diminuição de cerca de 900 mil euros, segundo dados revelados ao Ambiente Online por Luís Capão, administrador da EMAC - Empresa Municipal de Ambiente de Cascais, E.M., S.A., que gere a marca "Cascais Ambiente" e é detida pela Câmara Municipal de Cascais.

 

O investimento neste sistema foi recuperado em apenas seis meses. O sistema evitou a emissão de 264 toneladas de CO2 para a atmosfera na medida em que permitiu reduzir o número de quilómetros percorridos, poupar combustível e diminuir os circuitos realizados, que passaram a ser realizados apenas quando os contentores se encontravam cheios.

 

A solução usada em Cascais integra duas tecnologias inovadoras, através de uma plataforma única, sendo uma conjugação inédita em Portugal (plataforma MAWIS da MOBA de software de gestão de resíduos e sondas de leitura do nível de enchimento e comunicação à distância da SMARTBIN).

 

A operacionalização das duas soluções foi efectuada pelos serviços técnicos da empresa. A integração, iniciada ainda em 2013, com a instalação de várias unidades para validar o modelo e a tecnologia, está a funcionar em pleno desde Janeiro de 2015.

 

Para o responsável este projecto, já premiado, torna a empresa “a mais tecnologicamente avançada do país e provavelmente no top a nível europeu, no que diz respeito à utilização de sistemas de informação como forma de optimizar recursos financeiros e consequentemente ambientais, tornando ainda a operação mais eficiente”.

 

A plataforma inteligente opera ao nível da recolha de resíduos indiferenciados e selectivos, recolha de resíduos verdes e objectos fora de uso. A recolha destes últimos resíduos, resíduos verdes e objectos fora de uso, passou a ser feita só após serem identificados pelos munícipes ou dos serviços através do PC embarcado. “Sem dados não existe gestão e que sem informação não existe decisão”, sublinha Luís Capão.

 

A implementação do sistema permitiu fazer uma reestruturação organizacional, não só ao nível do número de rotas, veículos e equipas necessárias para executar o mesmo serviço, mas também evitou o papel, libertando as chefias para outro tipo de tarefas.

 

O sistema evitou ainda situações de saturação de resíduos urbanos nos contentores e existência de resíduos abandonados na via pública. Ao prestar o mesmo serviço utilizando menos recursos financeiros a empresa terá ainda possibilidade de não aumentar as tarifas pagas pelo consumidor para cobrir os custos de operação. “Cascais apostou por ser ainda mais eficiente na realização destes serviços fazendo mais por menos”, resume.

 

Existe ainda uma aplicação móvel disponibilizada pelo município aos cidadãos (FIXCASCAIS), onde através de um smartphone ou tablet, é possível informar a autarquia da localização de várias incidências, neste caso em concreto de resíduos verdes e objectos fora de uso.

 

Depois de uma pesquisa de mercado, realizada em 2010, o sistema foi implementado em 2011. Em 2013 tiveram início os testes com a solução de sensores de enchimento que, numa primeira fase, foram instalados apenas nos 400 contentores subterrâneos do fluxo de papel/cartão e embalagens de plástico.

 

Ainda em 2015 serão iniciados novos testes-piloto, nomeadamente com a instalação dos sensores de enchimento nos contentores de superfície. O número total de ecopontos disponíveis no concelho de Cascais é de 2.400 contentores, entre contentorização subterrânea e de superfície, pelo que “o potencial de crescimento é elevado”, sublinha Luís Capão.

 

Este sistema pode ser implementado em todas as empresas de recolha de resíduos urbanos e limpeza urbana, quer a nível nacional como a nível internacional, de forma faseada. A empresa tem sido visitada por várias empresas internacionais, que operam na mesma área de negócio e demonstram vontade de replicar a opção técnica nas operações. “A nossa contribuição deverá cingir-se à partilha de experiências com os demais operadores de mercado”, esclarece Luís Capão.

 

Ana Santiago

TAGS: Cascais Ambiente , EMAC - Empresa Municipal de Ambiente de Cascais , E.M. , S.A , Câmara Municipal de Cascais , resíduos , gestão inteligente , Cascais
Vai gostar de ver
VOLTAR