Governo cria grupo de trabalho para estudar forma de rentabilizar eólica offshore

REN diz que ligação de Viana do Castelo, criticada pelo regulador, resulta de orientação do Estado

18.03.2016

O Governo criou um grupo de trabalho para garantir formas de viabilizar e rentabilizar projectos de aproveitamento eólico offshore para produção de electricidade, a começar pelo projecto-piloto na zona de Viana do Castelo.

 

A resolução de conselho de ministros, publicada esta semana em Diário da República, estabelece que o projecto “WindFloat Atlantic”, com 25 MW “constituirá, à escala global, o primeiro parque pré-comercial utilizando tecnologia eólica flutuante, sendo que o referido ponto de ligação em mar deverá ser construído com capacidade livre, podendo assegurar a ligação à Rede Eléctrica Nacional de sistemas experimentais e sistema comerciais de outros promotores”. O grupo de trabalho interministerial, designado por “Energia no Mar”, tem quatro meses para apresentar um relatório.

 

A REN – Redes Energéticas Nacionais incluiu já no seu plano de investimentos para os próximos dez anos o ponto de ligação desta infra-estrutura com o continente, via cabo submarino, mas a ERSE (Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos), no parecer que fez ao documento, levantou sobre este investimento muitas dúvidas, como noticiou em primeira mão o Ambiente Online. O tema foi explorado na última edição do #Energia (jornal Água&Ambiente).

 

Os administradores da REN sublinham que têm muito respeito pelas observações da ERSE, mas lembram que esta é uma orientação do concedente - o Estado. “O concedente mandatou a REN, atendendo à importância estratégica que o eólico offshore poderia ter, a estudar a possibilidade de fazer a ligação e criar condições para um ponto de ligação”, respondeu o administrador executivo, João Conceição ao Ambiente Online durante a conferência de imprensa de apresentação dos resultados da REN, que decorreu na quinta-feira à tarde em Lisboa. 

 

João Conceição sublinha que a preocupação da entidade reguladora é muito legítima, já que tem que ver com os custos que este projecto acarreta lançando a possibilidade de se avaliarem soluções alternativas. A REN está por isso disposta a trabalhar quer com o Estado quer com o regulador para tentar encontrar uma solução que dê resposta às preocupações da ERSE e concedente em termos de política energética.

  

“O que está em cima da mesa é um projecto-piloto com potência específica. Alertamos que quando se faz um cabo submarino o cabo é o mesmo se estivermos a fazer diferentes níveis de pontos de ligação ou potências de ligação. Temos que trabalhar com esse grupo de trabalho e a ERSE e perceber qual é a solução optimizada que ambos consideram a mais adequada em termos de custo e potencial”, realça João Conceição.

 

O valor desta ligação, que ascende a 48 milhões de euros, é considerado muito elevado sobretudo quando comparado com o custo da interligação entre Ponte de Lima e a Galiza, que orça em 30 milhões de euros e possibilitará o transporte de mais 700 MW de electricidade em alta tensão.

 

“A potência de produção atribuída ao projecto “Windfloat” é de 27 MW e é difícil entender que deva ser o operador da Rede Nacional de Transporte de Eletricidade a concretizar um projecto de investimento para sua recepção e que este possa vir a poder ser considerado como um projecto de custo economicamente eficiente, já que para tal prevê a instalação de cabos submarinos e linhas áreas de 150 kV, com uma capacidade de recepção de potência instalada até 200 MW”, questiona o regulador que alertou igualmente para o impacto que o investimento pode vir a ter na tarifa paga pelo consumidor. Independentemente do teor deste documento cabe ao Governo decidir. 

 

O presidente do conselho de administração e da comissão executiva da REN, Rodrigo Costa, lembra o papel que a empresa desempenha em termos de política energética. “Não somos nós que a definimos, mas somos nós que temos um papel na sua execução. Temos novo Governo em funções e acreditamos, até porque são públicas algumas reflexões, que há uma grande aposta em várias áreas, como as renováveis, inclusivamente na fotovoltaica, e estamos de acordo com elas”, nomeadamente tendo em vista as interligações.

 

Ana Santiago 

TAGS: Windfloat atlantic , eólico offshore , REN , ERSE
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