João Branco (Quercus): “Estão a ser implementadas políticas que defendemos há 30 anos” (COM VÍDEO)

Presidente da associação ambientalista faz o balanço de três décadas de actividade

18.05.2015

No ano em que a Quercus assinala 30 anos de existência, o presidente, João Branco, diz que a associação ambientalista está a ver agora implementadas políticas que defende há três décadas.

 

“Há muitos anos que lutamos contra a utilização de sacos de plástico. Agora, felizmente, há políticas que vieram quase banir a utilização desses sacos de plástico. Os principais resultados foram conseguidos a longo prazo. Vemos agora serem implementadas políticas que defendíamos há 30 anos. Esse foi o grande feito da Quercus: despertar consciências e mudar mentalidades”, revela João Branco ao Ambiente Online.

 

O responsável recorda que, desde o início, em 1985, a associação alertou para a necessidade de conservação da natureza. Desde a primeira hora defendeu a floresta autóctone, o lobo, as aves de rapina, a fauna em geral.

 

“Também tivemos momentos marcantes quando, por exemplo, lutámos contra o plano nacional de barragens, contra a Barragem do Baixo Sabor e contra a Barragem do Tua”, ilustra. Nem a remoção do amianto dos edifícios foi esquecida pela associação ao longo destes anos de trabalho.

 

Nos próximos 30 anos a Quercus quer  continuar a ter como bandeiras a conservação da natureza, a protecção das florestas, dos animais selvagens e dos espaços naturais que "são cada vez mais raros em Portugal". Tudo por causa de construção de auto-estradas, parques eólicos e barragens que diminuem a paisagem natural, reclama João Branco. “Queremos que os nossos netos e bisnetos tenham espaços naturais para usufruir da natureza”.

 

Outro assunto que está na ordem do dia da associação é a protecção do litoral que tem cada vez menos areia. “Gastam-se todos os anos centenas de milhões na recuperação de praias. É deitar dinheiro ao mar porque no ano seguinte a areia volta a sair”, alerta.

 

João Branco revela ainda que a associação está preocupada com a implementação das áreas protegidas marinhas em Portugal já que se desconhecem ainda os critérios que presidirão à sua implementação.

 

Os resíduos integram igualmente a lista dos desafios a enfrentar. “Há cada vez mais tipos de resíduos: as nanopartículas ou os resíduos dos aparelhos eléctricos e electrónicos, como as baterias dos telemóveis. “À medida que a indústria desenvolve tecnologias e utiliza novos materiais aparecem novos resíduos e é preciso lidar com eles”, lembra.

 

A Quercus olha com preocupação para as alterações climáticas, para a queima dos combustíveis fósseis e pretende por isso que continue a crescer a utilização de energias renováveis, mas não a todo o custo. “Hoje em dia começa a haver um conflito entre a instalação de energias renováveis e as áreas protegidas. Os parques eólicos e as barragens estão a ser empurrados para dentro dos parques naturais, dos parques nacionais e das reservas e não queremos isso. Queremos esses empreendimentos fora das áreas protegidas", sublinha.

 

De olhos postos no futuro, João Branco garante que a Quercus quer continuar a trabalhar em todas as áreas ambientais e alargar o âmbito de actuação respondendo aos novos desafios ambientais que se colocam.

 

Ana Santiago 

TAGS: Quercus , 30 anos , João Branco , presidente
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