Lisboa em penúltimo lugar na lista das cidades que se esforçam por reduzir poluição

Ranking foi elaborado por organizações não governamentais de ambiente incluindo a Quercus

31.03.2015

Lisboa aparece em penúltimo lugar numa lista de 23 cidades europeias que são avaliadas de acordo com o empenho na redução dos níveis de poluição. A capital portuguesa surge assim entre as cidades com pior desempenho na melhoria da qualidade do ar.  

 

A lista “SootFree Cities” foi divulgada hoje em Bruxelas pelas organizações não-governamentais de ambiente Amigos da Terra Alemanha (BUND) e o Secretariado Europeu para o Ambiente (EEB), federação da qual a Quercus é membro.

 

Em 2015, as duas organizações, com a participação activa da Quercus, avaliaram o desempenho de 23 cidades em 16 países europeus, tendo em conta nove categorias de critérios relacionados com os transportes, incluindo a promoção dos modos suaves (como andar a pé e de bicicleta), gestão do tráfego urbano, renovação das frotas públicas pela introdução de veículos mais limpos e eficientes e incentivos económicos para reduzir a poluição, tais como sistemas de portagens urbanas e tarifas sobre o estacionamento.

 

Lisboa apresenta níveis elevados de poluição há vários anos, sobretudo partículas inaláveis e dióxido de azoto, consistentemente acima dos valores limite impostos pela legislação europeia, embora com tendência decrescente. A Câmara Municipal de Lisboa introduziu em 2011 uma Zona de Emissões Reduzidas (ZER) para proibir a circulação de veículos mais antigos e mais poluentes na zona mais central, mas “com critérios pouco ambiciosos quando comparados com outras cidades europeias e com falta de fiscalização adequada”, critica a Quercus.

 

Em 2015, a ZER entrou numa nova fase e passou a restringir o acesso a veículos com matrícula anterior a 2000 (Euro 3) na zona mais central e veículos com matrícula anterior a 1996 (Euro 2) na zona mais alargada. Em Lisboa, a gestão do estacionamento foi significativamente melhorada.

 

“Em relação à mobilidade sustentável, a câmara de Lisboa tem implementado algumas medidas para promover a bicicleta e os transportes públicos mas ainda com uma expressão limitada. O município não tem informação disponível ao público sobre os níveis de poluição e quando comparada com outras cidades europeias, tem uma elevada percentagem de uso do transporte individual e baixa utilização da bicicleta”, observa a associação ambientalista.

 

Outras medidas têm sido pouco ambiciosas, como a renovação da frota municipal pela aquisição de veículos mais limpos e eficientes. Acrescente-se ainda o incumprimento de muitas medidas incluídas num plano de melhoria da qualidade do ar, com prazos já ultrapassados, tendo uma delas motivado um recente processo em tribunal pela Quercus.

 

OS BONS EXEMPLOS

 

No topo da lista das cidades mais empenhadas em combater a poluição surge Zurique. A cidade suíça deve o desempenho a uma "combinação de medidas que incluem um forte compromisso das autoridades locais em reduzir os níveis de poluição emitida pelos transportes, a promoção dos transportes colectivos e modos suaves e baixos níveis de poluição atmosférica".

 

Em Zurique, mas também em Copenhaga, classificada em segundo lugar, o volume de tráfego dentro da cidade foi reduzido substancialmente e os veículos mais antigos e poluentes deixaram de circular em algumas áreas mais centrais. As duas cidades investiram amplamente na promoção e expansão dos transportes coletivos e modos suaves de transporte. Viena e Estocolmo ficaram classificadas em terceiro e quarto lugar desta lista, enquanto Berlim - vencedora da edição do ano anterior - ocupa este ano o 5º lugar.

TAGS: poluição , qualidade do ar , Lisboa , cidades europeias , lista , Quercus , organizações não governamentais de ambiente , lista SootFree Cities
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