Luís Simas (ERSAR): Dois parâmetros vão permitir avaliar radioactividade na água (VÍDEO)

25.09.2015

O controlo de substâncias radioactivas na água destinada ao consumo humano - que vai passar a ser obrigatório já em Novembro, na sequência da directiva comunitária que está a ser transposta (2013/51/EURATOM do Conselho, de 22 de Outubro) - vai implicar que as entidades gestoras (EG) tenham "dois ou três parâmetros adicionais” para avaliar, explica o director do departamento de Qualidade da Água da ERSAR (Entidade Reguladora dos Serviços de Águas e Resíduos), Luís Simas, em declarações ao Ambiente Online.

 

Trata-se nomeadamente dos parâmetros alfa e beta que permitem avaliar a radiactividade na água. Luís Simas realça no entanto que perante os resultados apurados poderá haver necessidade de controlar outros indicadores.

 

O responsável acredita que a situação não será problemática tendo em conta que essa monitorização pode ser integrada naquele que "já é o controlo legal da qualidade da água que as entidades gestoras estão habituadas a fazer".

 

Existe ainda a possibilidade de se demonstrar que estas substâncias radioactivas não são um problema para determinadas zonas, mediante um estudo de avaliaçao de risco, podendo algumas entidades gestoras ficar dispensadas de efectuar estas análises.

 

“As características geológicas do nosso território são muito vantajosas face a outros países da Europa que têm problemas muito mais graves do ponto de vista da radioactividade natural. Significa que temos que estar atentos e nos casos em que isso merecer a nossa atenção teremos eventualmente que implementar algumas medidas correctivas”, sublinha.

 

Luís Simas lembra no entanto que os estudos epidemiológicos existentes não mostram “nenhuma relação entre a radioactividade natural [presidente em estratos geológicos] existente em Portugal e consequências para a saúde humana”.

 

Em Portugal não existem fontes de radioactividade artificial, ou seja, substâncias geradas pela acção humana. “Controlamos as situações que podem advir do funcionamento da central nuclear espanhola de Almaraz, que está perto da fronteira. Há um programa de monitorização ambiental que controla nomeadamente o trítio, para avaliar se há problemas de radioactividade, o que não tem acontecido até agora”, assegura.

 

Ana Santiago

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