Meta de 32 por cento para renováveis na União Europeia é pouco para cumprir Paris, diz ZERO

15.06.2018

O Parlamento Europeu, o Conselho e a Comissão chegaram ontem a um acordo final sobre a diretiva relativa às energias renováveis para o período 2021-2030, estabelecendo uma meta vinculativa de 32 por cento, que pode ser revista em alta até 2023.

 

Este é um valor mais alto do que os 27 por cento de renováveis, inicialmente proposto pela Comissão, que fica no entanto abaixo dos 35 por cento sugeridos pelo Parlamento Europeu.

 

Para a associação ambientalista ZERO o nível de ambição ainda está muito aquém do que é necessário para cumprir o Acordo de Paris. "Aliás, a União Europeia ainda não chegou a acordo numa outra área relevante da política energética – as metas de eficiência energética", frisa a associação.

 

A ZERO considera que é preciso mais para corresponder à escala de ação necessária para alcançar as metas do Acordo de Paris. "A falta de urgência para agir e evitar impactos catastróficos das alterações climáticas é alarmante. Se a União Europeia quiser aproveitar ao máximo os benefícios que as fontes de energia renováveis têm para oferecer em termos de criação de emprego, reduções nas faturas de energia e reduções das emissões de gases com efeito de estufa, o objetivo vinculativo de 32 por cento acordado para 2030 deve ser visto como um ponto de partida na corrida para uma maior ambição", sublinha a ZERO.

 

Os biocombustíveis de óleo de palma e soja não poderão crescer acima dos níveis de consumo de 2019 e devem cair gradualmente de 2023 em diante até atingir zero por cento em 2030.

 

A nova legislação permitirá também que os Estados-Membros subsidiem a queima de troncos de árvores para "a produção de eletricidade em instalações ineficientes, abrindo a porta para as antigas centrais a carvão em toda a Europa sejam convertidas para queimar enormes quantidades de valiosa madeira da floresta", alerta a associação.

 

A ZERO, que considera que a eletricidade produzida com recurso à incineração está a ser financiada como energia renovável "sem que o seja verdadeiramente", congratula-se com "o fim de subsidiação a incineração como energia renovável e concorda com aposta num verdadeiro investimento respeitando a hierarquia de gestão de resíduos".

 

A associação tem agora a expetativa que tudo seja diferente, já que a União Europeia vem clarificar esta situação, definindo que a prioridade é "a recolha seletiva e que devem ser retirados todos os subsídios que impeçam a reciclagem, situação que regista com a incineração", declara.

 

Para a ZERO a incineração é um obstáculo claro à reciclagem. "Em Lisboa (VALORSUL) e Porto (LIPOR), devido à existência de unidades de incineração beneficiam já de metas anormalmente baixas e encontram-se entre os sistemas de gestão de resíduos urbanos com pior desempenho na reciclagem, para além beneficiarem da aplicação de uma taxa de gestão de resíduos com um desconto de 75% sobre o valor fixado", realça a associação.

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