Opinião Álvaro Menezes (Saneamento - Brasil): O mosquito e o plano bilionário

05.02.2016

É difícil imaginar que um mosquito esteja hoje no centro das atenções mundiais e que o combate a sua existência pareça ser algo tão complexo. Convivendo com os brasileiros desde a década de oitenta no século XX e espalhado em países da América Central e Caribe, este vetor de doenças que podem matar e causar deficiências graves, está na mira da White House e entrou na pauta de prioridades da OMS e da ONU.

 

Estar no século XXI preocupado com as doenças que podem ser transmitidas por um mosquito que tem como habitat natural a água limpa - potável ou natural - é o reconhecimento da falência dos modelos públicos de planejamento, gestão e financiamento de serviços de saneamento básico, isto no caso do Brasil e de alguns países da América Central, do Caribe e da África.

 

Em outros países das Américas e da Europa, a preocupação principal se dá pela contaminação de seus cidadãos que tem contato com o mosquito. Diante da explosiva transmissão do vírus da Zika pelo mosquito Aedes Aegypt, a criação da vacina é a saída mais rápida para conter a contaminação e proteger populações. Entretanto, é lamentável observar que no século XXI, quando a tecnologia transformou a ficção científica em realidade em muitos lugares do mundo, em países como o Brasil, se vislumbrou nos últimos doze anos o elogio a insensatez.

 

Ao invés de se buscar otimizar o uso de recursos financeiros públicos e melhorar os serviços de saneamento, o que se viu foi o excesso de programas como o PAC - Programa de Aceleração do Crescimento que se pautou mais pelo número de placas de obras espalhadas pelo País, que por uma estratégia eficaz de uso racional do dinheiro público para a execução de obras que gerassem benefícios reais e sustentáveis para a sociedade.

 

No ano passado o Governo Lula/Dilma às voltas com a paralização da economia e com o fim dos justos benefícios sociais criados sem lastro financeiro, lançou o PIL - Plano de Investimentos em Logística prometendo usar R$ 198 bilhões em um programa de concessões para a iniciativa privada em áreas de portos, aeroportos e rodovias. Não aconteceu nada! Este ano, já lançou o plano bilionário de R$ 86 bilhões para alavancar a economia com crédito para pessoas e empresas.

 

Este, se der em alguma coisa, vai ser prejudicial ao Brasil porque causará graves prejuízos ao FGTS - Fundo de Garantia por Tempo de Serviço. Ou seja, diante de tantas ações confusas, resta manter o espírito cristão cada vez mais forte e acreditar que se Deus quiser, em breve o Brasil estará melhor...

 

Álvaro José Menezes da Costa é engenheiro civil graduado pela UFAL (Universidade Federal do Estado de Alagoas) com especialização em Aproveitamento de Recursos Hídricos (UFAL) e Avaliação e Perícias de Engenharia (UNIP - Universidade Paulista). É vice-presidente nacional da ABES-Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental desde 2012 e sócio da GO Associados Consultoria Multidisciplinar, responsável pelo escritório Norte/Nordeste. É consultor independente na Álvaro Menezes Engenharia & Consultoria. Foi gestor público no setor de saneamento durante 30 anos, ocupando na CASAL-Cia. de Saneamento de Alagoas os cargos de diretor de operações(1989-1991) e comercial (2007-2008), vice-presidente de gestão operacional (2008-2010) e presidente (2011-2014). Na COMPESA-Cia. Pernambucana de Saneamento foi diretor técnico(1999-2006). Foi presidente do Conselho Fiscal da AESBE–Associação das Empresas de Saneamento Básico Estaduais entre 2011 e 2014 e membro de conselhos de administração da CASAL (1987/1989 e 2011/2014) e da COBEL - Cia. Beneficiadora de Lixo de Maceió (1995/1999).

TAGS: Opinião , Brasil , saneamento , Álvaro Menezes
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