Opinião Álvaro Menezes (Saneamento - Brasil): Riscos Globais

17.02.2016

A 11º edição do Relatório de Riscos Globais 2016 (World Economic Forum) é daqueles documentos que leva todos a refletir sobre o que acontece no presente e quais os impactos sobre o futuro.

 

Para compreensão deste documento, ainda que em breves palavras, é importante conhecer as definições a seguir: Risco global é um evento ou condição incerta que, se ocorrer, poderá causar um  impacto negativo significativo para vários países ou indústrias nos próximos 10 anos; Tendência global é um padrão de longo prazo que está ocorrendo atualmente e que poderia contribuir para amplificar os riscos globais e/ou alterar a relação entre eles.

 

Olhando em escala global o que acontece, tem-se clareza de que muitos eventos e condições já ocorrem provocando impactos negativos na vida de pessoas, países, economia, religiões e meio ambiente. Não é difícil também observar que ocorrem tendências globais tal e qual se define no relatório.

 

Em resumo pode-se extrair de parte do relatório, os cinco principais riscos globais de maior preocupação para os próximos 18 meses e para os dez anos, com as características de cada um desses grupos de riscos.

 

Se verá no curto prazo que o efeito das tendências e exemplos atuais levaram a preocupações mais relacionadas com riscos de conflitos, falência institucional e desemprego, como se vê em ordem de importância: migração involuntária em larga escala, colapso institucional dos Estados, conflitos internacionais e entre Estados, desemprego e subemprego e o fracasso da governança político-institucional.

 

No longo prazo, as maiores preocupações foram: a crise da água, a falência na mitigação e adaptação as mudanças climáticas, os eventos climáticos extremos, falta de alimentos e aumento da instabilidade social.

 

Ou seja, se pensou mais no efeitos dos riscos globais para o meio ambiente quando se enxergou o futuro nos próximos dez anos.

 

Uma triste constatação é que de fato as escolhas apontam a realidade global que pode ser vista no Brasil, por exemplo, quando não se espera um conflito entre Estados, mas não se descarta a instabilidade social decorrente da defesa dos princípios lulopetistas por seus seguidores ou quando se vê o desemprego e o subemprego avançando graças a falência da gestão pública ou quando se sente o impacto da crise financeira com a elevação de preços de energia elétrica e gasolina ou se sente que a crise hídrica não deixou como lição a necessidade de priorizar o manejo racional e adequado da água tanto na oferta quanto na demanda.

 

Para os brasileiros os riscos não são probabilidades e já deveriam estar em processo de mitigação e controle há tempos, mas o que se vê é uma constante negação da realidade por parte de governantes e políticos. É preciso fazer com que o presente não inviabilize o futuro.

 

Álvaro José Menezes da Costa é engenheiro civil graduado pela UFAL (Universidade Federal do Estado de Alagoas) com especialização em Aproveitamento de Recursos Hídricos (UFAL) e Avaliação e Perícias de Engenharia (UNIP - Universidade Paulista). É vice-presidente nacional da ABES-Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental desde 2012 e sócio da GO Associados Consultoria Multidisciplinar, responsável pelo escritório Norte/Nordeste. É consultor independente na Álvaro Menezes Engenharia & Consultoria. Foi gestor público no setor de saneamento durante 30 anos, ocupando na CASAL-Cia. de Saneamento de Alagoas os cargos de diretor de operações(1989-1991) e comercial (2007-2008), vice-presidente de gestão operacional (2008-2010) e presidente (2011-2014). Na COMPESA-Cia. Pernambucana de Saneamento foi diretor técnico(1999-2006). Foi presidente do Conselho Fiscal da AESBE–Associação das Empresas de Saneamento Básico Estaduais entre 2011 e 2014 e membro de conselhos de administração da CASAL (1987/1989 e 2011/2014) e da COBEL - Cia. Beneficiadora de Lixo de Maceió (1995/1999).

TAGS: Álvaro Menezes , saneamento , Brasil
Vai gostar de ver
VOLTAR