Opinião António Bolognesi (Brasil-Energia): Financiamento de projetos no Brasil

05.05.2016

Os leilões de compra de energia promovidos pela ANEEL – Agencia Reguladora de Energia Elétrica nos últimos anos para suprir os consumidores de energia vinculados as empresas de Distribuição, também conhecidos como consumidores cativos, foram importantes para atender a demanda futura, de acordo com os Planos de Expansão estabelecidos nos estudos de planejamento promovidos pelo Ministério de Minas e Energia, através de sua EPE – Empresa de Pesquisas Energéticas. Nesses leilões foram contratadas usinas de diversas fontes, com destaque especial para a eólica e a solar, as quais tem ocupado posição de destaque nesses eventos, cujos resultados estão alinhados com os objetivos de ampliação das fontes alternativas e redução de emissões de gases de efeito estufa na Matriz Energética Brasileira.

 

No entanto, observa-se de forma generalizada, uma grande dificuldade para financiar os projetos, mesmo aqueles que obtiveram bons resultados nos leilões, representados por tarifas que remuneram adequadamente o capital dos investidores. Para explicar essa situação é importante dizer que a principal fonte de financiamento no Brasil é o BNDES – Banco Nacional de Desenvolvimento Económico e Social, vinculado ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior e que essa fonte de financiamento está momentaneamente “esgotada” ou de difícil acesso tendo em vista a grave crise económica que enfrenta o país. Além disso, foram impostas restrições que praticamente inviabilizam o uso de recursos dessa fonte, como por exemplo o caso da energia solar, para a qual se exige hoje um índice de nacionalização de 56%, que vai crescendo gradativamente até 2020, quando essa exigência passa a ser de 76%. Essa exigência certamente inviabilizará o acesso a esse tipo de financiamento, pois, como se sabe, a maioria dos equipamentos para projetos de energia solar são fabricados na China. Apesar de haver esforços do Governo Federal em desenvolver essa indústria no Brasil, acreditamos trata-se de movimento contrário ao adotado pelo resto do mundo, que transferiu, por razões económicas, essas atividade para os Chineses, uma vez que não havia condições de competir com seus custos de produção.

 

Por outro lado, existe no exterior um grande volume de recursos disponíveis para investimentos em projetos de infraestrutura, mas que no entanto, estão sujeitos ao risco da variação cambial. Nesse sentido, acreditamos que devido ao fato dos contratos de compra de energia a partir de leilões serem firmados em prazos superiores a 20 anos, esse risco acaba por se neutralizar e se apresentar como uma preocupação menor, como se pode observar no gráfico de variação do índice cambial que relaciona a moeda brasileira com o dólar americano desde 1985 até hoje:  http://br.investing.com/quotes/us-dollar-index-advanced-chart. Essa realidade nos leva a avaliar a possibilidade de se dispensar os caríssimos contratos de “hedge cambial”. Quanto aos riscos institucionais, acreditamos não serem relevantes, uma vez que apesar das regras do Setor Elétrico serem relativamente “voláteis”, não há notícias de “quebra de contratos” no país, que tradicionalmente os respeita na integra.

 

Pelo exposto, apesar das dificuldades de financiamento, existem negócios interessantes no Brasil que podem remunerar de forma interessante o capital de empreendedores que consigam enxergar as oportunidades de investimento em projetos de energia, contratando empresas que possam assessora-los e orientá-los para compreenderem os riscos e as vantagens do mercado.

 

António Bolognesi é mestre em Administração pela PUC Minas e especialista em Geração de Energia de fontes convencionais e renováveis possuindo uma experiência de mais de 35 anos no sector eléctrico brasileiro. É Diretor da Operman – Engenharia e Consultoria. Foi Director Presidente da EMAE - Empresa Metropolitana de Águas e Energia de São Paulo e Director  da CESP - Companhia Energética de São Paulo. Foi ainda  membro do Conselho de Administração do ONS - Operador Nacional do Sistema Elétrico e da  CPOS - Companhia Paulista Obras e Serviços.

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