Opinião António Sá da Costa: "As alterações climáticas e contribuição de Portugal para as minimizar"

08.07.2015

Durante o passado mês de junho esteve em consulta pública o PNAC – Plano Nacional das Alterações Climáticas. Sem querer entrar numa longa e fastidiosa discussão sobre o tema quero debruçar-me de uma forma sumária pelas metas estipuladas para 2030 para o sector da energia, mas antes devo criticar o prazo muito curto que foi dado para esta consulta pública, pois 15 dias é muito pouco para se poder aprofundar e sugerir melhoramentos num documento de tamanha importância.

 

O aquecimento global está a verificar-se, não vou discutir a sua origem, mas o que é uma realidade indesmentível é que hoje em dia o Homem tem ferramenta para medir as suas consequências e em certa medida alterar o seu curso, tentando minimizar os seus impactos na Humanidade. Este objetivo exige o esforço de todos, seja um país, uma empresa ou cada um de nós individualmente.

 

Assim cada país deve fixar as suas metas tendo em consideração a sua situação quanto a recursos endógenos, situação da sua economia bem como o interesse comum do Planeta Terra, mas também é importante que todos contribuam e não se fique à espera que os outros façam o que nos compete, só por ser mais barato e mais fácil nada fazer.

 

O atual Governo teve uma posição pró-ativa quando estipulou que a meta para Portugal em 2030 era de 40% de renováveis no consumo total de energia. Valor que também é referido como mínimo pelo programa do PS. Temos pois os chamados partidos do arco da governação alinhados nas metas, o que é bom, mas depois teremos de ver os detalhes de como se pretendem alcançar estes objetivos nos próximos 15 anos.

 

Pode parecer que 2030 está muito distante e que há assuntos mais importantes a tratar entretanto, mas temos que ter presente que no setor energético as decisões tomam-se 10 a 15 anos antes da sua implementação, pelo que agora é que devemos decidir o que queremos implementado em 2030.

 

Para se obter 40% de fontes renováveis na energia total ter-se-á que obter entre 75 e 80% de fontes renováveis na eletricidade. Os outros setores terão uma contribuição bastante inferior, os transportes com cerca de 10% e o aquecimento e arrefecimento com 35%, valor este que já existiu em 2005.

 

Pelo que se tem visto há três aspetos que condicionam o encarar este cenário: a crescente eletrificação da sociedade, espero que se passe dos atuais 26 - 27% - números da DGEG para 2014 – para 32% em 2030, recordo que em 2005 este valor aproximava-se de 23%; o crescente papel que tem a eficiência energética e o uso racional da mesma energia; e finalmente a evolução tenológica que vai impor as suas regras, e estou a referir-me ao decaimento nos custos e aumento de eficiência dos painéis foto voltaicos, do armazenamento de eletricidade (baterias) e do veículo elétrico.

 

Os objetivos foram definidos, a forma de os alcançar tem de ser estudados, os meios humanos, técnicos e financeiros têm de surgir de forma a permitir o seu cumprimento, ponhamos pois as mão à obra tendo sempre presente que:


Portugal precisa da nossa energia.


António Sá da Costa é presidente da APREN – Associação Portuguesa de Energias Renováveis e Vice-Presidente da EREF – European Renewable Energy Federation e da ESHA – European Small Hydro Association. Licenciou-se como Engenheiro Civil pelo IST- UTL (Instituto Superior Técnico da Universidade Técnica de Lisboa) (1972) e tem PhD e Master of Science pelo MIT (Massachusetts Institute of Technology (USA) em Recursos Hídricos (1979). Foi docente do IST no Departamento de Hidráulica e Recursos Hídricos de 1970 a 1998, tendo sido Professor Associado durante 14 anos; tem ainda leccionado disciplinas no âmbito de cursos de mestrado na área das energias renováveis, nomeadamente na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa e na Escola Superior de Tecnologia e Gestão de Portalegre; Exerceu a profissão de engenheiro consultor durante mais de 30 anos, sendo de destacar a realização de centenas de estudos e projectos na área das pequenas centrais hidroeléctricas; Foi fundador do Grupo Enersis de que foi administrador de 1988 a 2008, onde foi responsável pelo desenvolvimento de projectos no sector eólico e das ondas e foi Vice-Presidente da APE – Associação Portuguesa da Energia de 2003 a 2011.O autor escreve, por opção, ao abrigo do novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa. 

TAGS: Opinião , António Sá da Costa , alterações climáticas , energia , renováveis
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