Opinião Carlos Zorrinho (Energia): "Casa Comum"

15.07.2015

Um tempo que marca a mudança do ciclo anual, normalmente associado a maior descanso e menos fervilhar quotidiano, é um tempo que nos desafia a olhar as coisas de outra forma, com mais profundidade e ao mesmo tempo com um sentido menos imediato e utilitarista.

 

Para os leitores interessados nos temas do ambiente e da energia este é também certamente um tempo de expectativa sobre o que se virá a concretizar de facto na Cimeira do Clima de Paris e de como as múltiplas agendas políticas, económicas e sociais à escala global poderão convergir para uma resposta assertiva e eficaz aos riscos do aquecimento global e da predação do Planeta.

 

Obviamente que o global apenas reforça a importância do local. Este é também um tempo de expectativa e decisão sobre as escolhas democráticas que seremos chamados a fazer no Outono. Um Outono que desejamos que seja uma primavera de esperança.  

 

Para todos nós, católicos ou não, a oportuna encíclica papal "Louvado Sejas" será certamente um documento mobilizador e inspirador. Há quem diga que chegou o tempo dos cuidadores, porque de palavras e intenções está a terra a abarrotar.

 

Não sou tão radical. Continuo a valorizar muito a capacidade transformadora da grande política e a força imparável da palavra, mas reconheço que cuidar faz falta. É um complemento absolutamente necessário para dar sentido a todas as outras formas de intervenção.

 

Cuidar de cada um de nós, do próximo, do espaço que nos rodeia, do nosso País e do planeta. Em síntese, como escreveu Francisco, cuidar da nossa casa comum.

 

Tempo de estio e mudança desafia-nos a mudar a forma como olhamos, como agimos e como decidimos. Esta coluna fará também agora uma pausa estival. Não queria por isso deixar de passar para mim mesmo e para os que me lêem alguns "trabalhos de casa".

 

Não vos passarei trabalhos para fazer em casa, mas trabalhos para fazer na casa. Para cuidarmos melhor da nossa casa. Para fazermos escolhas mais amigas do ambiente e da sustentabilidade. Para sermos protagonistas activos de novas atitudes e de novas viagens. Para decidirmos em conformidade. Decidirmos o que fazer e em quem confiamos para fazer por nós. Boas férias. 

 

Carlos Zorrinho, eurodeputado do PS, membro da Comissão da Indústria, da Investigação e da Energia no Parlamento Europeu, é licenciado em Gestão de Empresas e doutorado em Gestão de Informação pela Universidade de Évora. Foi professor catedrático do Departamento de Gestão da Universidade de Évora, deputado à Assembleia da República pelo PS (1995-2002 e 2004-2014), líder Parlamentar do Partido Socialista na Assembleia da República (2011-2014) e, no Governo, ocupou as funções de Secretário de Estado da Energia e da Inovação (2009 e 2011) e secretário de estado Adjunto da Administração Interna entre 2000 e 2002. O autor escreve, por opção, ao abrigo do Novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa.

TAGS: Opinião , Carlos Zorrinho , energia , Cimeira de Paris , férias , encíclica , Papa Francisco
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