Opinião Carlos Zorrinho (Energia): Edifícios eficientes e inteligentes

17.10.2017

O pacote global para a energia limpa, em apreciação no Parlamento Europeu, deve ser votado em Estrasburgo em janeiro de 2018, incluindo o referencial de integração para a Governação da União da Energia, em que sou relator sombra e sobre o qual já escrevi em texto anterior neste espaço.

 

No dia 11 de outubro a Comissão de Indústria, Investigação e Energia (ITRE) de que sou membro efetivo, aprovou mais uma importante peça do puzzle, propondo atualizações importantes na diretiva que regula a eficiência energética dos edifícios.

 

A estratégia aprovada, tendo por objetivo que os edifícios públicos e privados na União Europeia (UE) sejam muito eficientes em termos de “performance” energética no horizonte de 2050, estabelece indicadores de referência a atingir em 2030 e em 2040, de forma a tornar possível concretizar as metas da União de Energia nesse período, em resultado da aplicação dos planos decenais dos diferentes Estados Membros.

 

O ponto de partida coloca um elevado desafio. Estima-se que na UE cerca de 75% dos edifícios são ineficientes no uso da energia e que apenas um por cento é renovado ou recuperado anualmente, tornando-se eficiente.

 

Este problema é também uma oportunidade, não apenas para aumentar a eficiência energética na UE como também para modernizar e revitalizar a sua indústria de construção civil que é atualmente responsável por quase 10% do PIB europeu e perto de 20 milhões de empregos.

 

A estratégia aprovada inclui 3 linhas de ação fundamentais e complementares. Em primeiro lugar um pacote de medidas de apoio à renovação dos edifícios e de controlo dos resultados obtidos. Em segundo lugar uma aposta forte na mobilidade elétrica e na dotação dos edifícios com as infraestruturas necessárias de carregamento de veículos elétricos, em particular em parques com mais de 10 lugares. Finalmente é previsto o desenvolvimento de indicadores inteligentes e de fácil aplicação para adaptar os edifícios às necessidades específicas dos seus utilizadores, evitando desperdícios e contabilizando os ganhos obtidos em poupanças energéticas.

 

Nada disto é novo. Nova é a aposta em concretizar tudo de forma concertada e sincronizada, com eficiência e inteligência. Esperemos que assim aconteça.      

 

Carlos Zorrinho, eurodeputado do PS, membro da Comissão da Indústria, da Investigação e da Energia no Parlamento Europeu, é licenciado em Gestão de Empresas e doutorado em Gestão de Informação pela Universidade de Évora. Foi professor catedrático do Departamento de Gestão da Universidade de Évora, deputado à Assembleia da República pelo PS (1995-2002 e 2004-2014), líder Parlamentar do Partido Socialista na Assembleia da República (2011-2014) e, no Governo, ocupou as funções de Secretário de Estado da Energia e da Inovação (2009 e 2011) e secretário de estado Adjunto da Administração Interna entre 2000 e 2002.

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