Opinião Rui Berkemeier: "Ecoparque do Relvão, um projeto que tem que ser apoiado"

03.06.2015

Quando a Câmara Municipal da Chamusca começou a desenvolver a ideia de instalar no seu concelho um cluster industrial dedicado ao ambiente e em particular aos resíduos, poucos imaginariam a importância que este pólo viria a ter na realidade nacional das infraestruturas de tratamento de resíduos.

 

Iniciado com a instalação dos aterros para resíduos urbanos e para resíduos industriais banais, o Ecoparque continuou a receber outras unidades de tratamento de resíduos, como sejam para lamas de ETAR, reciclagem de plásticos, entre outras.

 

No entanto, esta aposta da autarquia só ganhou verdadeira visibilidade quando foi decidida a instalação nesse espaço das unidades de tratamento de resíduos industriais perigosos, os CIRVER.

 

Posteriormente vieram para o Ecoparque unidades de regeneração de óleos lubrificantes usados e de tratamento de resíduos hospitalares, tornando este projeto o grande centro de tratamento de resíduos do País.

 

No entanto, nem tudo são boas notícias. O projeto original de um sistema de ecologia industrial em que os fluxos de materiais e energia circulariam entre as diversas unidades ainda está longe de se concretizar, estando a faltar a criação de uma entidade que ajude a potenciar essas sinergias.

 

Também a ideia da criação de infraestruturas de apoio ao Ecoparque ainda não passou da fase de projeto e do ponto de vista de ordenamento do território, o Ecoparque oficialmente nem sequer existe. Outro aspeto que ainda não está resolvido são as acessibilidades, o que não se compreende face à importância vital deste pólo industrial para a resolução do problema da gestão dos resíduos a nível nacional.

 

Paralelamente, a instalação de um grande e diversificado número de unidades de tratamento de resíduos tem levantado a questão dos meios para controle da qualidade ambiental, tendo a câmara municipal iniciado um programa de monitorização da qualidade das águas superficiais, mas isso é claramente insuficiente e constitui um custo difícil de suportar pela autarquia.

 

Torna-se assim necessário um maior envolvimento do Ministério do Ambiente na monitorização ambiental do Ecoparque, para que este projeto, de grande valia, não seja posto em causa só para o Estado fazer poupanças que no futuro podem representar custos bem elevados, caso as condições ambientais no Ecoparque se venham a degradar.

 

Rui Berkemeier é Engº do Ambiente licenciado pela FCT/UNLCoordenador do Centro de Informação de Resíduos da Quercus desde 1996: Acompanhamento das políticas nacionais de gestão de resíduos.Chefe de Sector de Ambiente da CM das Ilhas em Macau (1992-1996): Gestão de Resíduos e Educação Ambiental.Técnico Superior da Direcção de Serviços de Hidráulica do Sul em Évora (1988-1992): Controle da poiluição hídrica e extracção de inertes. O autor escreve, por opção, ao abrigo do novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa.

TAGS: Opinião , Rui Berkemeier , resíduos , Ecoparque do Relvão , Chamusca
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