Opinião Sá da Costa: "Crescimento Verde tem objetivos ambiciosos mas atingíveis"

06.05.2015

No dia 22 de março de 2015 foi assinado no Palácio Foz em Lisboa e com a presença do Primeiro-ministro e do Ministro do Ambiente Ordenamento do Território e Energia, além de outros membros do Governo, o “Compromisso para o Crescimento Verde”. Além do Governo assinaram este compromisso 82 entidades representando os diferentes setores da sociedade civil e agências governamentais que se encontram envolvidas no consumo de diferentes formas de energia bem como as empresas, associações empresarias e de consumidores.

 

Foi um passo muito importante pois revela o comprometimento que todos os assinantes têm para que em Portugal se desenvolva uma verdadeira economia verde com a correspondente criação de riqueza e emprego e simultaneamente permitir que o nosso País seja mais sustentável energeticamente bem como diminua a sua dependência externa de fontes energéticas.

 

Neste documento são preconizadas um conjunto de medidas e de objetivos que devem nortear a nossa atuação, enquanto País e sociedade devidamente estruturada, nos próximos 15 anos.

 

Acho que em alguns aspetos se poderia ir mais longe, mas tal como o nome do documento diz foi o melhor compromisso que se conseguiu, pelo que este documento constitui, por assim dizer, as regras que devemos obedecer no setor da energia nos anos vindouros.

 

Claro que este documento não se pode considerar um documento fechado, pois terá de se ir adaptando às evoluções tecnológicas bem como a outros sinais que a sociedade sempre vai manifestando, mas será sempre uma referência dos mínimos que será possível alcançar e não como os máximos que nunca serão atingidos.

 

No que se refere à energia além de políticas de conservação e uso eficiente da mesma define-se como meta para 2030 que 40% de toda a energia consumida em Portugal tenha origem renovável, e na eletricidade a meta de fontes renováveis é de 80%. São objetivos ambiciosos mas atingíveis, pelo que temos que meter mãos à obra desde já pois o caminho a percorrer é longo e não isento de obstáculos.

 

A terminar devo referir que, e com alguma admiração, o fato de que desde o início do ano a eletricidade de origem eólica continua a ser a maior origem da eletricidade consumida em Portugal, embora a eletricidade proveniente das grandes centrais hídricas e das centrais a carvão, respetivamente a segunda e terceira fonte, se tenham aproximado. Apesar de este ano estar a ser um ano seco, 73% da média, as fontes renováveis asseguraram mais de 60% da produção de eletricidade nacional.

 

Continuamos pois no bom caminho porque: Portugal precisa da nossa energia.


António Sá da Costa é presidente da APREN – Associação Portuguesa de Energias Renováveis e Vice-Presidente da EREF – European Renewable Energy Federation e da ESHA – European Small Hydro Association. Licenciou-se como Engenheiro Civil pelo IST- UTL (Instituto Superior Técnico da Universidade Técnica de Lisboa) (1972) e tem PhD e Master of Science pelo MIT (Massachusetts Institute of Technology (USA) em Recursos Hídricos (1979). Foi docente do IST no Departamento de Hidráulica e Recursos Hídricos de 1970 a 1998, tendo sido Professor Associado durante 14 anos; tem ainda leccionado disciplinas no âmbito de cursos de mestrado na área das energias renováveis, nomeadamente na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa e na Escola Superior de Tecnologia e Gestão de Portalegre; Exerceu a profissão de engenheiro consultor durante mais de 30 anos, sendo de destacar a realização de centenas de estudos e projectos na área das pequenas centrais hidroeléctricas; Foi fundador do Grupo Enersis de que foi administrador de 1988 a 2008, onde foi responsável pelo desenvolvimento de projectos no sector eólico e das ondas e foi Vice-Presidente da APE – Associação Portuguesa da Energia de 2003 a 2011.O autor escreve, por opção, ao abrigo do novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa. 

TAGS: Opinião , Sá da Costa , APREN , energias renováveis , Compromisso para o Crescimento Verde
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