Opinião Theo Fernandes: "Que remédios para as 'indica-dores'?"

09.07.2015

Na minha experiência a trabalhar com grandes quantidades de dados, há um desafio que se tem revelado consistentemente difícil: a gestão de indicadores. Independentemente do contexto, seja ele, empresarial, administração pública, municipal, certificação ambiental ou investigação. No caso particular do Ambiente, os indicadores são relevantes em áreas tão distintas como a monitorização, gestão de serviços de água e saneamento, sustentabilidade, avaliação ambiental e ordenamento, entre outros.

 

Porque se trata dum desafio difícil?

 

Tipicamente, na fase da concepção dum conjunto de indicadores, há um surto de criatividade que nos invade e contribui para a criação duma variedade de indicadores que tentam cobrir todas as nossas necessidades estatísticas possíveis e imagináveis. O que não deixa de ter um lado muito positivo. Mas depois da fase de concepção, começam os desafios. Calcular os indicadores que criámos, mantê-los, publicá-los, partilhá-los, documentar a sua interpretação. E é nesta fase que olhamos para trás, para a fase em que nos sentimos muito criativos e pensamos “Onde tinha a cabeça quando inventei isto?”. Acaba por acontecer que nem sempre os indicadores tem uma exequibilidade de cálculo e o acompanhamento parece falhar por falta de informação.

 

Embora numa tendência de melhoria, as poules de indicadores que tipicamente são concebidas ao nível dos Planos de Ordenamento Territorial, da Avaliação Ambiental Estratégica ou mesmo ao nível do acompanhamento de Planos de Gestão de Recursos Hídricos têm vindo a padecer deste mecanismo de excesso de zelo informativo que resulta em auto-flagelação. Mas é um problema transversal. Há um par de anos, uma colega, responsável ambiental duma grande empresa em Portugal, ligou-me a perguntar se haveria uma solução fácil para a gestão de dezenas de mega-ficheiros de folhas de cálculo que geriam indicadores para fins de gestão, certificação ambiental, monitoriação, sustentabilidade,... Não consegui ajudar. Era um monstro demasiado grande para uma solução fácil. Era preciso repensar todo o processo.

 

Que medidas podemos adoptar para minimizar estes desafios? Seguem umas dicas que tento seguir:


1-    Atitude consciente e responsável na criação dos indicadores.

 

Os indicadores são calculados com base em variáveis. Assegurar que as mesmas estão facilmente disponíveis e não precisam de tratamentos demorados para integrar o cálculo dos indicadores.


2-    Harmonização e consolidação de indicadores.

 

Verificar se indicadores concebidos por áreas diferentes não podem ser consolidados num único, evitando repetição de cálculos que acabam por não acrescentar valor.


3-    Escolher indicadores que sejam fáceis de comunicar

 

Por exemplo, os gestores ambientais das empresas têm dificuldade em passar a informação de acompanhamento às estruturas de gestão. A mensagem tem de ser simples e directa e isto consegue-se também por via da simplificação dos indicadores.

 

4-    Usar tecnologias apropriadas desde o primeiro momento.

 

Antevendo-se uma dinâmica de grande quantidade de dados, a via das folhas de cálculo rapidamente se esgota e limita as opções. Há diversas opções muito amigáveis, grátis ou a preços justos que não só permitem gerir as variáveis e indicadores como produzem outputs automáticos muito interessantes. Alguns exemplos que aconselho a passar os olhos porque apenas precisam de ser customizados, sem necessidade de conhecimentos informáticos:


Exemplo 1 - ZOHO

 

Uma solução que pode ser grátis para casos mais simples e com muita flexibilidade de integração.


Exemplo 2 - Datapine

 

Uma solução mais robusta e onerosa mas com maior usabilidade e um leque de funcionalidades mais abrangente.


Exemplo 3 - Roambi

 

O rollsroyce das plataformas de dashboards. Os preços diminuíram substancialmente nos últimos anos  e faz as maravilhas de qualquer “data-lover”. 

 

Theo Fernandes trabalha há mais de 15 anos na área de sistemas de informação, tendo participado na análise de diversos sistemas do sector do ambiente. Desde 2004 é Assistente convidado da FCT/UNL, onde tem colaborado em várias disciplinas, incluindo Sistemas de Informação e Apoio à Decisão do Mestrado de Engenharia e Gestão da Água". O autor escreve, por opção, ao abrigo do Novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa. 

TAGS: Opinião , Theo Fernandes , sistemas de informação , ambiente , gestão de indicadores
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