PAULO FERRÃO: 'PERSU 2020 irá ter um impacto directo na economia de 100 milhões de euros

…e criar 1300 postos de trabalho'. Revela estudo publicado esta semana.

28.05.2014

A entrada em vigor do PERSU 2020 - que aponta para que o sector de gestão de Resíduos Urbanos (RU) evolua no sentido de aumentar as taxas de recolha selectiva e de desviar RU de aterro  – terá um impacte económico directo de cerca de 100 milhões de euros, o que representa um aumento de 26% no impacto que as actividades de gestão de resíduos urbanos de uma forma geral têm neste momento e que é calculada em 357 milhões. Já o impacto indirecto na economia estimado com a aplicação do PERSU 2020 deverá aumentar 55%, para os 176 milhões de euros.  Estas são algumas das conclusões do estudo “Contributos da Gestão de Resíduos Urbanos para o Desenvolvimento Socioeconómico e Ambiental de Portugal”, da autoria da consultora ambiental 3Drivers e do Instituto Superior Técnico e encomendado pela Sociedade Ponto Verde apresentados esta semana. “Este estudo foi realizado tendo em conta as interacções que se realizam entre o sector dos resíduos e os outros sectores da economia”, referiu ao Portal Ambiente Online Paulo Ferrão (ver vídeo), “e mostra claramente que o sector dos resíduos tem um contributo muito significativo para a economia portuguesa”. Para o investigador do IST e um dos autores do estudo, “há um impacto muito significativo indirecto do sector dos resíduos noutros sectores da actividade económica nomeadamente da construção”.

 

Assim, e segundo os dados agora divulgados, o impacte económico directo (VAB) das actividades de gestão de RU, em 2012, foi de 357 milhões de euros, concentrando-se essencialmente na recolha indiferenciada de RU (55%). O circuito de reciclagem multimaterial, onde se incluem os processos de recolha seletiva e triagem e a atividade da Sociedade Ponto Verde, representa cerca de 77 milhões (22%) dos impactes directos da gestão de resíduos urbanos. Já os impactes indirectos, estão estimados em 114 milhões de euros.

 

Para além do efeito directo na economia, o estudo revela ainda a importância do sector dos resíduos para o mercado de trabalho. Neste ponto, o estudo adianta que, em 2012, o sector empregava cerca de 11.700 colaboradores. 84% destes empregos estavam localizados na recolha indiferenciada de RU. Já a recolha selectiva empregava à data cerca de 1.400 trabalhadores. Relativamente ao tratamento, a triagem revelou ser o processo mais intensivo em mão-de-obra, empregando cerca de 1.050 trabalhadores para gerir cerca de 400 mil toneladas de resíduos de recolha selectiva.

 

Já as estimativas de criação indirecta de empregos apontam aproximadamente para os 3.400 postos de trabalho. Com o PERSU 2020, a evolução projetada para o ano de 2020 terá igualmente benefícios ao nível do emprego. Estima-se um aumento de 22% de empregos no cenário do PERSU 2020 comparativamente com 2012, com o emprego directo a subir para os 13.000 postos de trabalho e o emprego indirecto a atingir 5.500 empregos.

 

O estudo promovido pela Sociedade Ponto Verde avalia também o impacto no ambiente do sector dos resíduos. Segundo Paulo Ribeiro, outro dos coordenadores do estudo, constatou-se que em 7 das 11 categorias de impacte ambiental estudadas (acidificação, depleção de ozono troposférico, depleção de recursos hídricos, depleção de recursos minerais, fósseis e renováveis, emissão de partículas, eutrofização - águas doces, uso do solo) o sistema de gestão de RU conduziu a um balanço ambiental positivo ou neutro. “Hoje em dia já existem muitas categorias de impacto ambiental nulo ou mesmo positivo – aquilo que nós ganhamos por valorizar e reciclar os resíduos tem um contributo superior aos impactos que advêm deste processo”, explicou o responsável, que destacou o efeito pós entrada em vigor do PERSU 2020 (VER VÍDEO). Tendo em conta o cenário que está projectado para o ano 2020 para o novo PERSU, estima-se que as emissões de Gases com Efeito de Estufa se reduzam 47%, o que se traduz – segundo o estudo - numa poupança da emissão de 522 mil toneladas de CO2.

 

Porém nas categorias de eutrofização, alterações climáticas, formação fotoquímica de ozono, os benefícios obtidos com a valorização dos RU ainda não permitem colmatar os impactes gerados com a sua gestão, sobretudo devido à existência de uma fracção ainda significativa de RU que não é valorizada. O processo mais penalizador, segundo o responsável, é o da deposição de RU em aterro, devido à elevada quantidade de resíduos que ainda são enviados directamente para aterro e que apresentam elevado teor de materiais biodegradáveis.

 

Ao comparar a gestão de resíduos como um todo com a gestão de resíduos de embalagens verifica-se ainda, tendo em conta o estudo, que o balanço ambiental da gestão das embalagens usadas é mais positivo, sobretudo devido às maiores taxas de reciclagem que se verificam para este fluxo de resíduos e à menor quantidade de resíduos que são encaminhados para eliminação em aterro. 

TAGS: Resíduos Urbanos
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