Por que não uma Sociedade Ponto Castanho? Recolha seletiva de orgânicos debatida no 12º Fórum

28.02.2018

Tornando-se a recolha seletiva de resíduos orgânicos obrigatória na União Europeia até 2023, de acordo com a nova diretiva ainda em discussão, Portugal tem que gizar um plano de ação para fazer face a este grande desafio. A discussão sobre este assunto, incontornável para o setor, vai ser feita no 12º Fórum Nacional de Resíduos, que decorre a 18 e 19 de abril.
 
Portugal, que nunca incluiu esta opção nos vários planos estratégicos de gestão de resíduos, terá agora que acelerar a fundo para imprimir grande dinâmica a este fluxo.
 
Para chegar lá por que não “criar uma Sociedade Ponto Castanho?”, sugere Constantino Azevedo, dos Serviços Municipalizados de Saneamento Básico (SMSB) de Viana do Castelo.
 
Seria uma forma de gerar “mais consciência pública para a prática dos valores da cidadania responsável, no âmbito da gestão dos recursos”, sublinha o responsável ao Água&Ambiente na Hora.
 
Viana do Castelo é um dos municípios colocados na linha da frente no que toca a recolha seletiva de orgânicos, tal como a Lipor, que já está no terreno, e o município de Lisboa. A decisão foi tomada sobretudo para diminuir o custo com o envio de resíduos indiferenciados para aterro.
 
As bases do projeto global já estão definidas. Falta apenas lançar dois concursos.
“Acreditamos que no final do presente ano estaremos a recolher os primeiros frutos, a desviar mais resíduos de aterro e a ter mais biorresíduos recolhidos seletivamente”, antecipa.

O projeto tem o objetivo de abranger 22 mil contentores domésticos destinados aos domicílios da área urbana, com um identificador eletrónico, que poderão ser despejados em grandes contentores de 2200 litros de acesso restrito colocados na via pública. Serão ainda distribuídos 7 500 compostores para os domicílios da área rural.

Um dos grandes desafios do projeto será conseguir que os munícipes não utilizem sacos quando depositarem os biorresíduos nos contentores de descarga coletiva. Será ainda necessária a “requalificação do espaço urbano para receber o equipamento coletivo para a descarga dos biorresíduos”, alerta Constantino Azevedo.
 
A periodicidade de recolha destes resíduos será feita de acordo com os registos históricos do número de utilizações dos equipamentos de descarga coletiva de biorresíduos alimentares.

Viana quer premiar os munícipes que separarem estes resíduos, mas o tipo de incentivo a atribuir ainda está a ser definido. O objetivo é caminhar no sentido de que os vianenses passem a pagar os resíduos em função da sua produção efetiva de indiferenciados.
 
A análise deste assunto, determinante para o cumprimento de metas, vai ser feita no 12º Fórum Nacional de Resíduos.

VOLTAR