Sotkon está a testar sistema PAYT numa das 330 ilhas ecológicas de Portimão

EMARP aceitou desafio lançado pela empresa

28.01.2015

A Sotkson Portugal está a testar um sistema que permite tarifar os resíduos sólidos urbanos seguindo a filosofia do poluidor-pagador - PAYT [Pay As You Throw] - numa das 330 ilhas ecológicas instaladas na cidade de Portimão, distrito de Faro.

 

A empresa municipal EMARP – Águas e Resíduos de Portimão aceitou o desafio lançado pela Sotkon, que já é fornecedora de contentores enterrados, para submeter a teste o sistema “Sotkis – Intelligent System”. 

 

O módulo “Acess” do sistema Sotkis permite controlar as deposições e identificar os utilizadores. Cada utilizador possui um identificador “Smart Tag”, uma espécie de chave que tem o registo dos dados, incluindo nome, morada e número de identificação fiscal. “Cada marco de deposição, seja de resíduos sólidos, vidro, plástico ou papel, tem um trinco associado a um leitor de identificadores “E-box” e a tampa só abre depois do identificador ser introduzido”, explica ao Ambiente Online Rui Salgado, responsável comercial da Sotkon Portugal.

 

Cada utilizador só pode colocar, de cada vez, o equivalente a 30 litros de resíduos indiferenciados. “O que se pretende é que os utilizadores utilizem esses 30 litros de volume disponível do marco indiferenciado para colocar resíduos indiferenciados desviando a parte selectiva para o contentor respectivo”, explica Rui Salgado.

 

Já os marcos de deposição selectiva não têm limite de deposição. Há um controlo de acesso, como forma de aferir da evolução da reciclagem, mas não é possível saber-se as quantidades que cada utilizador deposita. “Atendendo ao tamanho de algumas embalagens, de electrodomésticos, por exemplo, não é possível limitar o volume”, justifica Rui Salgado.

 

Os dados de registo, incluindo a hora de deposição e tipo de resíduo, são transmitidos remotamente para um servidor e disponibilizados à entidade para que possam ser tratados informaticamente. A Sotkon possui software próprio para controlo, tratamento de dados e emissão de uma factura virtual. As facturas reais têm que ser efectuadas num programa licenciado, mas os dados são também disponibilizados pela empresa, salienta Rui Salgado.

 

Outros módulos do sistema “Level e Planeamento de Rota” permitem monitorizar o nível de enchimento dos contentores através de sondas volumétricas possibilitando o planeamento da rota mais eficiente para efectuar a recolha dos mesmos.

 

Este sistema já não é piloto, uma vez que se encontra em funcionamento na Câmara Municipal do Porto, na monitorização de 20 contentores do vidro; em Vila Franca de Xira para controlo de 10 contentores de RSU´s e estará brevemente em Cascais, município que encomendou à empresa 400 sondas volumétricas para espalhar pela maioria dos contentores enterrados do concelho.

 

CADA FAMÍLIA DEPOSITA 126 KG DE RSU/MÊS

 

Em Portimão o projecto arrancou em 2013 e abrange 20 famílias. “Portimão é um dos municípios com melhores resultados ao nível da recolha de resíduos e satisfação dos utilizadores e onde a contentorização comunitária subterrânea está plenamente disponível e assumida pela população, o que do ponto de vista funcional simplifica este projeto piloto pois não implica qualquer alteração de hábitos ou comportamentos na população”, realça Rui Salgado.

 

Partindo do princípio que cada família utiliza o volume máximo disponível de 30 litros e faz 14 deposições em média por mês, cada família depositará 126 quilos de resíduos sólidos urbanos mensalmente, segundo os cálculos apurados durante este projecto-piloto.

 

Rui Salgado garante que o sistema pode ser massificado. Várias cidades europeias, em Itália, por exemplo, utilizam sistemas semelhantes. “Os custos serão sempre avultados porque desde logo o sistema tem que estar disponível a todos os utilizadores. No caso particular de entidades que já utilizam sistemas Sotkon os investimentos são menores porque os marcos com sistema PAYT são perfeitamente compatíveis com instalações mais antigas”, esclarece.

 

O responsável lembra ainda que haverá candidaturas a fundos comunitários que permitem enquadrar projectos deste tipo e que podem ser aproveitadas pelas entidades para introduzir este sistema. “A vantagem deste sistema é que do ponto de vista de ‘hardware’ a Sotkon já tem a experiência para a sua aplicação e pode apoiar qualquer entidade na sua implementação”, revela.

 

Rui Salgado considera que ainda é cedo para retirar conclusões do projecto, mas ainda que genericamente os utilizadores concordam em que se acabe “com a injustiça de indexar a factura dos resíduos ao consumo de água”.

 

O responsável revela que está em análise a implementação de novos projectos-piloto semelhantes em Penafiel, Torres Novas e Barcelos.

 

PORTIMÃO QUER ESTAR NA LINHA DA FRENTE

 

O chefe de direcção de resíduos e limpeza urbana da EMARP, Luís Fernandes, lembra que o sistema PAYT é um objectivo da União Europeia e está vertido no PERSU 2020. “Não foram ainda definidos prazos para a sua operacionalização mas, sendo um objectivo europeu, a EMARP está a dotar o município com as infraestruturas que permitirão estarmos na linha da frente quando aquele prazo for definido”. 

 

O responsável considera que faz sentido a aplicação deste conceito, ou de outro com o mesmo objectivo, já que este sistema permite que os munícipes paguem apenas pelo resíduo indiferenciado que depositam no contentor.“Quanto mais separarem menos pagarão porque a deposição dos selectivos continuará a ser gratuita, sendo paga apenas a fracção indiferenciada (lixo residual, não separado)”, sublinha ao Ambiente Online.


Luís Fernandes salienta no entanto que este é um sistema caro. “Exige um investimento enorme que, em nossa opinião, dificilmente terá retorno. Fará parte daquela gama de investimentos que só irá avante porque é ambientalmente correcto. É como a decisão de comprar um veículo eléctrico. Demora uma infinidade de tempo a ser amortizado, mas dá a sensação de que a decisão de o comprar foi a melhor coisa que foi feita em termos ambientais”, ilustra. 

 

O director acredita que poucas autarquias ou empresas municipais conseguirão comportar o custo de tal investimento sem que sejam disponibilizados fundos para o efeito. “Não esqueçamos que para se aplicar o PAYT é necessário dotar o território municipal de contentores que suportem esses sistemas. Por enquanto, e dadas as limitações orçamentais desta empresa, continuaremos em testes com o PAYT, aguardando melhor oportunidade para a sua prossecução”, conclui. 

 

Ana Santiago

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