Portugal e Espanha sem estratégia de adaptação às alterações climáticas para rios transfronteiriços (VÍDEO)

Alerta é feito pelo professor e investigador Filipe Duarte Santos

12.10.2015

Portugal e Espanha ainda não têm uma estratégia conjunta de adaptação às alterações climáticas para os recursos hídricos partilhados, designadamente os rios internacionais que atravessam os dois países, numa altura em que se sabe que o cenário futuro, traçado pelo IPCC (Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas das Nações Unidas), será de escassez de recursos hídricos nos países do sul da Europa, problema que terá que ser dirimido na Península Ibérica.   

 

O alerta sobre este assunto foi lançado pelo professor e investigador Filipe Duarte Santos, durante uma conferência sobre alterações climáticas, que decorreu na última sexta-feira no âmbito do Greenfest, no Centro de Congressos do Estoril.

 

“É um pouco surpreendente que existam cientistas, tanto espanhóis como portugueses, que estudem essas questões, que até participem conjuntamente em projectos que têm que ver com os recursos hídricos partilhados entre Portugal e Espanha e que, ao nível político, não exista ainda uma vontade clara de fazer uma estratégia de adaptação para o conjunto dos dois países”, observa o investigador em declarações ao Ambiente Online.

 

Filipe Duarte Santos dá como exemplo as iniciativas deste género que já avançaram para a bacia hidrográfica do Danúbio, rio que banha 14 países, o segundo mais longo da Europa, e para o Rio Mekong, na Indochina, que engloba cinco país, quatro dos quais já estão também a desenvolver uma estratégia de adaptação às alterações climáticas.

 

O investigador considera que é útil aproveitar o caminho já feito, nomeadamente a Convenção de Albufeira, que quando arrancou “foi bastante percursora" em termos de desenvolvimento.

 

“Era muito importante procurar iniciar um diálogo especificamente sobre os impactos da alteração climática nos recursos hídricos partilhados por Portugal e Espanha para que possamos aumentar a capacidade de adaptação, a resiliência das populações e dos vários sectores socioeconómicos nas bacias hidrográficas partilhadas”, sublinha o professor e investigador referindo-se concretamente às necessidades futuras de água para a agricultura em Portugal.

 

Outra das questões que preocupam o investigador prendem-se com os transvases. Não só os que já existem, como aqueles que estão a ser planeados, alerta, sejam transvases entre o Tejo e o Guadiana, em Espanha, ou entre o Guadiana e o Guadalquivir.

 

“Era útil para ambos os países que meditassem sobre isso, que estabelecessem um diálogo e a partir daí fosse construída uma estratégia para o futuro pensando sobretudo nas gerações vindouras”, sugere o especialista.

 

Ana Santiago

TAGS: água , rios transfronteiriços , alterações climáticas , Portugal , espanha , água , recursos hídricos
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