Portugal rumo a Brasília – Governo marca presença forte no processo político

15.03.2018

É já no próximo dia 18 de Março que arranca a 8ª edição do Fórum Mundial da Água (FMA) terá lugar que, pela primeira vez, num país do hemisfério sul, o Brasil. A cidade de Brasília irá acolher os cerca de 40 mil participantes que são esperados em mais de uma centena de debates e sessões ministeriais que se prolongam até dia 23.

 

Fala-se português nesta edição do Fórum e Portugal não quer deixar escapar a oportunidade. Prevê-se uma presença forte do País, em particular no Processo Político e espera-se que daqui resultem novas oportunidades para a internacionalização do setor e mais cooperação para o desenvolvimento, nomeadamente no âmbito da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP).   

 

No subprocesso político ministerial, são envolvidos os altos responsáveis dos governos nacionais de diferentes países, que discutirão os seis temas principais do evento – Clima, Pessoas, Desenvolvimento, Urbano, Ecossistemas e Financiamento – em mesas redondas e painéis de alto nível. O principal resultado é uma Declaração Ministerial que será apresentada durante a sessão de encerramento do evento, agendada para o dia 23 de Março.

 

O Ministro do Ambiente, João Pedro Matos Fernandes, está empenhado em que deste processo saia um documento “forte, ambicioso, e com mensagens claras sobre o que os governos deverão fazer para colocar o tema da água no topo das suas prioridades”, tendo como pano de fundo a Agenda 2030 e os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) assumidos por 193 países das Nações Unidas em 2015, entre os quais se inclui o acesso universal à água e saneamento. “O ano de 2018 será particularmente relevante neste contexto, uma vez que o Fórum Político de Alto Nível das Nações Unidas, que se reunirá em julho, fará a revisão do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 6, o que significa que vai avaliar os progressos já alcançados e o caminho ainda a percorrer para atingir as metas a que nos propusemos até 2030”, recordou ainda o governante.

 

Também o Ministério dos Negócios Estrangeiros estará representado em mesas redondas ministeriais sobre Clima, Pessoas e Financiamento. “A água tem uma enorme importância geoestratégica”, salienta Teresa Ribeiro, secretária de Estado dos Negócios Estrangeiros e da Cooperação, frisando também o potencial de internacionalização e cooperação que pode resultar da necessidade de dar resposta aos desafios globais neste domínio. “É um setor que vai ser essencial para todos. Como tal, representa também, por isso, enormes oportunidades do ponto de vista da internacionalização das nossas empresas”. “Temos em Portugal um capital de conhecimento e experiência acumulados no setor da água. Temos de olhar para toda esta experiência como algo que pode e deve ser rentabilizado em benefício da internacionalização das nossas empresas, e como um instrumento para trazer prosperidade para Portugal”, concretiza.

 

Outra área essencial para o Ministério dos Negócios Estrangeiros é a cooperação. “A água tem um papel muito importante na cooperação para o desenvolvimento. Mas essa cooperação, tal como hoje a vemos, também tem esta dimensão de internacionalização da economia”, recorda Teresa Ribeiro. A secretária de Estado dos Negócios Estrangeiros estará presente numa sessão inter-regional, envolvendo representantes de países da Europa, América do Sul, África e Ásia, tendo em vista encontrar “respostas concretas” que contribuam para o cumprimento dos ODS.

 

A governante participará ainda num painel de alto nível dedicado ao tema “Água e Migrações”. “O tema das migrações é hoje absolutamente hegemónico na nossa agenda”, salienta a governante, “e a água pode ser um detonador das migrações”.

 

CPLP ENFRENTA DESAFIOS COMUNS

 

Aproveitando o facto de esta edição se realizar em Brasília, está também a ser dinamizada, por responsáveis de Portugal e do Brasil, que agora preside à CPLP, uma iniciativa que envolve os países de expressão portuguesa e que visa lançar as bases para uma maior cooperação entre países lusófonos, na área da água.

 

Irá realizar-se uma reunião extraordinária dos ministros da CPLP com a tutela da água, do qual resultará igualmente uma declaração “focada na cooperação com vista à consecução dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável, em que a água tem uma relevância transversal”, antecipa João Pedro Matos Fernandes.

 

“Temos muitos problemas comuns – todos somos países costeiros – e temos a facilidade de ter uma língua comum, o que também ajuda”, acrescenta Teresa Ribeiro, “portanto, é natural que os países da CPLP queiram ter uma declaração em que identifiquem desafios comuns e vontade de encontrar respostas comuns ou partilhadas para esses mesmos desafios”. “Seguramente, que [daqui] sairão declarações de intenção fortes que se tornarão em ações muito concretas de cooperação, financiamento e relacionamento entre os países”, espera. 

 

UM ESPAÇO PRIVILEGIADO PARA AS EMPRESAS

 

O projeto “Portugal rumo a Brasília 2018”, lançado pelo Ministério do Ambiente e que tem como comissário Jaime Melo Baptista, tem procurado dinamizar a participação de Portugal no 8º FMA em múltiplas frentes, incluindo a vertente empresarial.

 

No pavilhão de Portugal, “as empresas portuguesas terão um espaço privilegiado para divulgar projetos nacionais e internacionais ilustrativos das capacidades e do saber do sector português da água”, nota João Pedro Matos Fernandes, nomeadamente através de uma aplicação interativa de utilização gratuita, que pretende ser uma montra do que o setor tem feito nos últimos anos, um pouco por todo o mundo.   

 

“Está prevista a participação no Fórum de delegações de alto nível e de decisores dos diferentes mercados onde as empresas portuguesas marcam presença ou pretendem expandir a sua atividade”, recorda ainda o governante. “Nesse sentido, esta será uma excelente oportunidade para mostrar as mais-valias e a competitividade das empresas portuguesas nos mercados internacionais”, conclui.

 

O FMA é o maior evento do mundo relacionado com a água e realiza-se, de três em três anos, sendo organizado pelo Conselho Mundial da Água e pelas autoridades nacionais e locais do país e cidade anfitriã. Está estruturado em diversos processos: Político, Temático, Regional e Fórum Cidadão, para além de contemplar uma ampla área de Feira e Exposição. Pela primeira vez, nesta edição, haverá ainda um Grupo Focal de Sustentabilidade, que visa inscrever as questões da sustentabilidade, ambiental, económica e social, nos debates temáticos. 

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