Évora tem dois laboratórios únicos na Europa para estudar concentração solar (COM VÍDEO)

Espaços foram visitados durante o 3º Simpósio organizado pelo IPES

05.02.2016

Évora tem dois laboratórios únicos na Europa para fazer investigação sobre energia solar de concentração e apoiar a indústria nesta área. Os espaços, localizados na Herdade da Mitra, foram visitados esta semana no âmbito do 3º Simpósio organizado pelo Instituto Português da Energia Solar (IPES): "A Concentração solar e o futuro", que decorreu a 1 de 2 de Fevereiro, na Universidade de Évora, que colaborou na organização do evento juntamente com o LNEG (Laboratório Nacional de Energia e Geologia) e projecto STAGE-STE.


Uma destas duas unidades (UE Solar PECS - Plataforma de Ensaios de Concentradores Solares) é uma plataforma com seguimento do sol a dois eixos, como explicou ao Ambiente Online o professor coordenador da cátedra de Energias Renováveis da Universidade de Évora, Manuel Collares Pereira, que é também presidente do Instituto Português de Energia Solar.

 

"É uma unidade que permite ensaiar módulos de concentradores solares até temperaturas de 400 graus celsius. Esta caracterização dos módulos permite perceber se a investigação que foi bem sucedida e permitirá ainda proporcionar à indústria a certificação dos seus produtos. Esta plataforma é a única que tem o movimento perfeito que permite seguir o movimento aparente do sol no céu", explica o professor. A unidade (foto à direita, em cima) foi desenvolvida inteiramente pela cátedra de energias renováveis da Universidade de Évora com o apoio de fundos comunitários.

 

A segunda infra-estrutura (Évora Molten Salt Plataform), de maior dimensão (foto à direita, em baixo), permite fazer o ensaio e desenvolvimento de tecnologias à escala de um campo de colectores. "Já não são só os módulos, são esses módulos montados num campo de colectores e a funcionar agora até temperaturas muito mais altas (560º) utilizando sais fundidos de sódio e potássio circulando directamente no campo de colectores que servem ao mesmo tempo de armazenamento de energia, ou seja, fluido de extracção de energia e armazenamento de energia", pormenoriza.

 

A primeira unidade está praticamente terminada, faltando apenas ajustes ao nível do sistema de controle para se passar para os testes do circuito térmico e estanquidade do circuito. Na segunda unidade o investimento por realizar ainda ascende a 70 por cento já que falta finalizar o campo de colectores que serão do tipo cilindro-parabólicos. Para terminar a plataforma e montar o primeiro campo de colectores concentradores a Universidade de Évora e o laboratório alemão DLR, que tem o maior investimento nesta área, vão estabelecer um consórcio com empresas alemãs nos próximos meses. O projecto conterá com financiamento da indústria e governo alemães. "A pouco e pouco vamos constituindo aqui um verdadeiro centro a nível europeu para explorar as condições excepcionais que temos, de sol e infra-estruturas", resume Collares Pereira.

 

Este conjunto de plataformas vão integrar aquilo o INIESC (Infra-estrutura Nacional de Investigação em Energia Solar de Concentração) constituído pela Universidade de Évora e LNEG e que terá apoio dos fundos europeus regionais do Programa Operacional Regional Alentejo 2020.

 

Manuel Collares Pereira lembra que para que a tecnologia se desenvolva em Portugal, já não só ao nível da investigação, mas em termos de mercado para produção de electricidade termoeléctrica, é necessário que haja, da parte do governo, uma política coincidente. "É importante a definição de um objectivo a quatro ou cinco anos de distância de umas centenas de MW, estabelecendo ao mesmo tempo as condições, de modo a atrair a indústria portuguesa e esta indústria estrangera que está aqui já connosco", sublinha.

 

Se é interessante, por um lado, ter mais uma contribuição renovável no mix energético, sobretudo quando se fala em exportar energia renovável, é importante, por outro lado, conquistar o envolvimento da indústia portuguesa na criação de emprego e no desenvolvimento de tecnologia que "amanhã pode ser exportada para o resto do mundo", salienta.

 

Ana Santiago

TAGS: Manuel Collares Pereira , simpósio IPES , Concentração Solar e o Futuro , energia solar térmica ,
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