Semana Comentada: Maria da Conceição Cunha, presidente da APRH (COM VÍDEO)

“Investimento na monitorização tem que ser continuado”

12.03.2015

A presidente da Associação Portuguesa dos Recursos Hídricos (APRH), Maria da Conceição Cunha, considera que o investimento contínuo na monitorização é fundamental para a aplicação da Directiva Quadro da Água (DQA) em Portugal numa altura em que se prepara o novo ciclo de planeamento dos recursos hídricos.

 

“Temos que pensar que a monitorização não é algo em que se investe no momento e depois se deixa ficar. Este investimento tem que ser continuado. Há uma manutenção a realizar para podermos cumprir e sobretudo conseguir analisar a nossa vida em termos ambientais. Sem informação não conseguimos trabalhar adequadamente”, comenta.

 

A associação realizou na terça-feira, 10 de Março, no Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC), o seminário “Planeamento dos recursos hídricos no âmbito da DQA – desafios para 2016-2021”. 

 

“Durante os últimos anos não houve investimento na monitorização, o que põe em causa o cumprimento de uma série de objectivos. Temos que ser realistas e ver qual será a melhor maneira de ultrapassar este atraso. Já foi anunciado que haverá investimento na monitorização. Esperamos que isso se concretize”, realça.

  

Maria da Conceição Cunha sublinha que os desafios colocados pela Directiva Quadro da Água são comuns a todos os países. “Avaliações intermédias ao processo de aplicação da directiva demonstraram que há vários problemas em vários países no sentido de se atingir, por exemplo, o bom estado ecológico. Há sistemas ecológicos que ainda se encontram degradados, há sobre-exploração de recursos, questões de poluição difusa ligadas a várias actividades que produzem poluição e ainda questões ligadas aos aspectos económicos”, analisa.

 

No caso português, sublinha, os problemas são idênticos, mas agravados porque o ciclo de planeamento está atrasado. “Fomos apanhados, no primeiro ciclo de planeamento da era DQA, numa crise muito complicada. Tudo isso impediu que houvesse um conjunto de investimentos que pudesse ter lugar. Isso teve implicações e vai ter implicações não só na aplicação do programa de medidas do primeiro ciclo como na própria avaliação da aplicação desse programa de medidas com efeitos neste segundo ciclo”, revela.

 

Ana Santiago 

TAGS: Semana Comentada , Maria da Conceição Cunha , Associação Portuguesa dos Recursos Hídricos
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