Semana Comentada: Paulo Diegues, Direcção Geral de Saúde (COM VÍDEO)

Legionella: “Proprietários de equipamentos têm que fazer avaliação de riscos”

14.11.2014

O Chefe da Divisão de Saúde Ambiental e Ocupacional da Direcção Geral de Saúde, Paulo Diegues, protagonista da Semana Comentada, defende que é importante que os responsáveis pelas torres de arrefecimento de unidades industriais façam “avaliação de risco” com vista a prevenir o surgimento de surtos de legionella semelhantes ao que se registou em Vila Franca de Xira.

 

“Têm que perceber a qualidade da água que entra no processo, o tipo de tratamento que tem essa água, os potenciais focos de emissão de aerossóis, perceber qual é a zona envolvente para minimizar os riscos e ter correctos programas de operação e manutenção, correctos programas de tratamento da água, um correcto programa de avaliação de risco com responsabilização na cadeia de comando”, explica o responsável, engenheiro do ambiente de formação, com especialização nesta área. 

 

Em caso de haver valores não conformes é preciso ter programas de emergência e comunicar às autoridades de saúde sempre que se suspeite que outras pessoas possam estar expostas ao risco para que se possam minimizar os impactos.

 

Relativamente à componente ambiental há que, no futuro, “definir os factores de risco e pensar em medidas ou legislativas ou regulamentares que orientem os responsáveis por estes equipamentos. Contudo há já legislação nacional para as águas termais e outras áreas, como também há legislação internacional que pode servir de referência como boas medidas de prevenção”, lembra.

 

Paulo Diegues recorda que a legionella é uma bactéria ubíqua na água pelo que existe nos meios naturais. Já nos sistemas artificiais, como torres de arrefecimento de unidades industriais, “se não houver uma correcta operação e manutenção, nem um correcto tratamento, há condições para que ela desenvolva biofilmes e, posteriormente, colónias criando um foco potencial de contaminação com a libertação dos aerossóis de água, onde vai a bactéria que pode ser transportada pelo vento para a zona envolvente. Neste caso as potenciais pessoas dessa área envolvente poderão ser infectadas”, explica.

 

Ana Santiago

TAGS: Semana Comentada , surto de legionella , Direcção Geral de Saúde , Paulo Diegues
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