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ERSUC

2004-10-29
A polémica incineradora anunciada para o Centro do País deverá ser, afinal, preterida em função da tecnologia inovadora de tratamento mecânico e biológico de resíduos, revela a edição de Novembro do jornal «Água&Ambiente. Luís Nobre Guedes, ministro do Ambiente e Ordenamento do Território (MAOT), encontra-se a reanalisar o processo de construção de uma central de incineração na zona de influência da Empresa de Resíduos Sólidos Urbanos do Centro (ERSUC). De acordo com fonte do gabinete, o ministro está a auscultar os «melhores especialistas que o País tem sobre estas matérias», onde estará englobada a equipa de investigadores da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa (UNL) que preparou o «Estudo Comparativo de Custos de Soluções de Tratamento e Destino Final de Resíduos Sólidos Urbanos». Este documento conclui que a incineração apresenta custos mais elevados que as demais opções analisadas, sobretudo decorrentes dos custos de investimento, sendo que as tecnologias de separação de materiais (tratamentos mecânicos) disponibilizam maior flexibilidade para a gestão do cumprimento de metas de reciclagem material. De acordo com Graça Martinho, que fez parte do grupo da UNL que estudou o assunto, a opção pelo tratamento mecânico e biológico permite aumentar as taxas de reciclagem, cujas metas estabelecidas pela Comissão Europeia estão ainda longe de serem cumpridas por Portugal e, consequentemente, reduzir a deposição em aterro. Apesar de a tecnologia ser ainda pouco divulgada no nosso país, é já bastante utilizada noutras paragens. Aliás, depois das lixeiras, dos aterros e das incineradoras, o tratamento mecânico biológico promete marcar a nova era do tratamento de resíduos sólidos urbanos (RSU). «Uma das receitas encontradas pelos demais países para equilibrarem as suas taxas de reciclagem passa pela utilização desta tecnologia, até porque não devemos insistir unicamente no consumidor final para que a reciclagem aumente», salienta Graça Martinho. Este tipo de unidade está equipado para proceder à separação de metais, plásticos e papéis que são encaminhados para a reciclagem, sendo que os outros resíduos que podem ser utilizados para fabrico de peletes ou granulados, que são posteriormente valorizados energeticamente substituindo combustíveis fósseis em outras indústrias (em caldeiras, por exemplo), ou para a produção de uma matéria orgânica (usada para a agricultura ou como cobertura de aterros conforme a quantidade de matéria orgânica presente). Apesar das inclinações do actual Executivo, o anterior responsável pela pasta, Amílcar Theias, estava pronto a dar o aval à construção da incineradora. Deste modo fazia a vontade à ERSUC, que em assembleia geral de accionistas (51 por cento do capital é da Águas de Portugal, 43 por cento está dividido por autarquias e seis por cento está nas mãos de privados) tomou a decisão de construir a incineradora alegadamente por esta ser a opção mais barata. Mas já a 12 de Maio a Assembleia Municipal de Coimbra aprovou uma moção defendendo o tratamento mecânico e biológico e rejeitando a incineração, na senda das críticas feitas pela provedora do ambiente da autarquia, Helena Freitas, que se mostra contra a solução encontrado «em cima do joelho» pela ERSUC.

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