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Primeira colheita de milho transgénico em Portugal convence agricultores

2005-10-13
O Outono trouxe consigo a época das colheitas e, pela primeira vez em Portugal, as colheitas de milho transgénico destinado a rações animais, cujo cultivo foi autorizado pelo Conselho de Ministros no passado mês de Abril. Uma das principais diferenças entre o milho transgénico e convencional está no facto de o primeiro ter sofrido uma alteração no seu material genético. Recorde-se que a promulgação em Portugal do Decreto-lei 160/2005, de 21 de Setembro, que regula o cultivo de variedades de culturas transgénicas, veio autorizar a cultura e comercialização de 17 variedades de milho transgénico, contendo o gene do Bacillus Thuringiensis, o qual codifica uma proteína tóxica para as larvas conhecidas por «brocas do milho». Numa visita realizada ontem a um campo de ensaio de cultivo de milho geneticamente modificado, em Almograve, foi possível verificar as diferenças entre os dois tipos de culturas. «A diferença é que a semente de milho transgénico contém um gene resistente às pragas e, por isso, não precisa de pesticidas», explicou Pedro Fevereiro, presidente do Centro de Informação de Biotecnologia (CIB), que promoveu a iniciativa. Apesar da semente do milho transgénico ser mais cara do que a do milho convencional, acaba por trazer benefícios económicos, ambientais e de produção para os agricultores, já que não têm de usar pesticidas para combater a broca. Convencidas dos seus benefícios não estão algumas organizações, nomeadamente a «Transgénicos fora do prato» - estrutura criada por entidades não governamentais da área do ambiente e agricultura – que se tem mostrado preocupada com as aplicações agrícolas da engenharia genética e a introdução comercial de plantas geneticamente modificadas. Augusto Candeias, dedicado à agricultura há mais de 30 anos, é um dos 20 associados da Cooperativa Agrícola do Monte Alto. Hoje o agricultor está satisfeito com os resultados no seu campo, em Flor do Brejo. «Tenho 33 hectares de milho transgénico e convencional. No transgénico não tenho perdas, poupo bastante dinheiro em pesticidas e muita da minha saúde». A área mundial cultivada com plantas transgénicas registou um aumento de 20 por cento em 2004, abrangendo 81 milhões de hectare, de acordo com dados do Serviço Internacional para Aquisição de Aplicações Biotecnológicas Agrícolas (ISAAA, da sigla em inglês). Aproximadamente 8,25 milhões de agricultores de 17 países plantaram transgénicos em 2004, ou seja, mais 1,25 milhões de agricultores do que em 2003. Noventa por cento desses agricultores estão em países em desenvolvimento.

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