Portagens retiram 40,4 milhões de carros por ano em Lisboa
2007-04-17
Perto de 40,4 milhões de veículos particulares podiam deixar de entrar anualmente em Lisboa, caso fossem introduzidas portagens à entrada da cidade tal como sucede em Londres. Pelo menos 5770 toneladas de dióxido de carbono por quilómetro podiam deixar de ser emitidas para a atmosfera deste modo.
Os cálculos do jornal Água&Ambiente assentam no pressuposto de que esta medida, que tem vindo a ser equacionada no seio da autarquia, permitiria os mesmos resultados do que os obtidos na capital britânica onde a entrada de veículos particulares baixou 30 por cento. Hoje, entram em Lisboa cerca de 500 mil veículos particulares por dia, que poderiam reduzir-se a 350 mil.
Embora esta medida, revolucionária, não seja consensual entre os especialistas e políticos, a verdade é que tem vindo a ganhar adeptos desde que Londres se estreou com esta medida em 2003. Milão, Singapura e Estocolmo foram outras cidades que seguiram o exemplo. A eficácia é inegável: em Londres mais de 85 por cento da população utiliza transportes públicos, na capital sueca só no primeiro mês se conseguiu uma redução de um quarto do tráfego registado. Mas as vantagens deste tipo de medidas não se ficam por aqui. Também há as receitas. Em Londres, por exemplo, os lucros resultantes das taxas aplicadas em 2004 foram de 103 milhões de euros, prevendo-se um crescimento deste valor até aos 130 milhões de euros nos anos seguintes. Em Lisboa, caso fosse aplicada a taxa de 11,7 euros/dia (em Londres) os lucros poderiam ascender a 2,3 milhões de euros por dia.
Outro benefício decorrente da medida nota-se na qualidade do ar nas urbes. O estudo «Impacte do tráfego rodoviário na qualidade do ar da cidade do Porto», desenvolvido pela Universidade Fernando Pessoa em 2005, aconselha o impedimento da circulação de automóveis aos fins-de-semana no Porto e ao pagamento de portagens entre as 7 e as 21 horas nos dias úteis em todo o anel interior delimitado pela Via de Cintura Interna. Num cenário em que metade dos automobilistas portuenses trocasse o carro pelo transporte colectivo, as emissões poluentes baixariam 36,2 por cento.
Fernando Nunes da Silva, professor do Instituto Superior Técnico e especialista em mobilidade urbana, considera que «esse será, mais cedo ou mais tarde, um recurso necessário em algumas zonas da cidade de Lisboa». Contudo, alerta que Portugal não se deve limitar ao que é feito noutros países, sendo imprescindível criar alternativas e aumentar a fiscalização relativamente ao uso abusivo dos automóveis.
José Manuel Palma, membro da direcção da Federação Europeia para o Transporte e Ambiente, lembra que apenas oito por cento das pessoas paga actualmente estacionamento em Lisboa e frisa que «o problema não estará resolvido enquanto for tão barato como é hoje circular de automóvel dentro das cidades».
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