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Opção Alcochete pode representar poupança de 3 mil milhões

2007-06-12

O estudo apresentado pelo presidente da Confederação da Indústria Portuguesa (CIP) não aponta uma estimativa de custos para a construção de um novo aeroporto na zona de Alcochete, mas, segundo tornou público Francisco Van Zeller, a optar-se por esta localização poder-se-á atingir uma poupança de, pelo menos, três mil milhões de euros, relativamente à Ota. O estudo aponta, porém, outras potenciais localizações.


De acordo com Van Zeller, a opção Alcochete além de estar localizada em terrenos do Estado, apresenta outras vantagens como o facto de se tratar de uma zona plana, infra-estruturada, evitando gastos com acessibilidades ferroviárias, nomeadamente os custos da ponte Chelas/Barreiro e do aterro que terá de ser construído na Ota.

O documento, que visou demonstrar a viabilidade ambiental da construção de uma estrutura aeroportuária de grande dimensão na margem sul do Tejo, foi coordenado por Carlos Borrego e Miguel Coutinho, ambos do Instituto do Ambiente e Desenvolvimento (Idad) e contou com a participação de 16 especialistas nas áreas da informação geográfica, hidrogeologia, património arqueológico, arquitectónico e etnográfico, ecologia, ordenamento do território e acessibilidades total da obra.


Além da Ota e Poceirão, o estudo aponta outras seis localizações possíveis, integradas numa extensa área de espaços florestais, em parte classificados como degradados, localizados na zona nascente do Campo de Tiro de Alcochete e na proximidade de Faias.


De acordo com o estudo, existem três alternativas a esta zona denominada de H com orientação Este-Oeste. As zonas são a H1, zona mais próxima de Lisboa e que abrange os concelhos de Benavente e Palmela, a H2 que visa ampliar a distância ao corredor ecológico em relação a H1 e abrange os concelhos de Benavente, Montijo e Palmela, e, por último a H3. Esta alternativa, que procura minimizar a área de montado e abarca os concelhos de Benavente e Palmela, poderá, ao contrário da H1 e H2, interferir com as servidões aéreas da Base Aérea do Montijo.


Com orientação Norte-Sul, as outras 3 alternativas na zona H são a H4, situada o mais nascente possível, abrangendo apenas o concelho de Benavente, a H5 que fica o mais a leste possível no concelho do Montijo e a H6 com localização intermédia face às duas anteriores, nos concelhos de Benavente e Montijo.


O estudo aponta que, segundo a metodologia aplicada, entre as várias localizações analisadas há «claramente uma maior adequabilidade das alternativas H6, H5 e H2. A região a intervencionar coincide com a área mais a leste do Campo de Tiro de Alcochete, limitada a nascente pela A13 e que se estende pelos concelhos de Benavente, Montijo e Palmela. Uma extensa área de eucaliptal, ocupada ocasionalmente por manchas de montado e zonas de regadio.


De qualquer modo, a construção de um aeroporto nesta área deverá basear-se num layout de pistas equivalente à solução H6, isto é, orientada a Norte-Sul. Uma opção que
permitirá minimizar os efeitos ambientais no que diz respeito ao número de sobreiros a abater, assim como anular a necessidade de realizar desalojamentos e ainda reduzir as perturbações sociais associadas a eventuais expropriações de terrenos. É que mais de 94 por cento dos terrenos são propriedade do Estado. Por outro lado, a orientação de pistas apresenta ainda a vantagem, segundo os especialistas, de não conflituar com a Zona de Protecção Especial do Estuário do Tejo (ZPE), integrada em Rede Natura 2000, e Reserva Natural do Estuário do Tejo, uma vez que as rotas de aproximação ao aeroporto não sobrevoam esta área.


Estando o local servido em termos rodoviários pela A12 e A13 e ainda pelo IC 13 que deverá ser prolongado, é apontada também a necessidade de que o local seja servido pela futura rede ferroviária de alta velocidade. Uma possibilidade que o estudo encomendado pela CIP considera tecnicamente possível.


O Laboratório Nacional de Engenharia Civil tem agora seis meses para elaborar um estudo comparativo entre Alcochete e a Ota, após a concessão por parte do Governo que há cerca de dez anos assumia a Ota como a futura localização do novo aeroporto internacional.














Autor / Fonte
Mónica Fonseca
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